A Nu Holdings Ltd. (NYSE: NU), controladora do Nubank, fechou o segundo trimestre de 2026 com 139 milhões de clientes e ultrapassou US$ 1 bilhão de lucro líquido em um trimestre pela primeira vez. A receita bruta somou cerca de US$ 5,9 bilhões, alta de 39% em um ano, e o retorno sobre o patrimônio (ROE) encerrou o período em 33%.
Nu Holdings no 2T26
| Indicador |
2T26 |
| Clientes globais |
139 milhões (+4 mi no trimestre) |
| Lucro líquido |
US$ 1,1 bilhão (+49% em um ano) |
| Receita bruta |
US$ 5,9 bilhões (+39% em um ano) |
| ROE |
33% |
| Carteira de crédito |
US$ 39,4 bilhões (+37% em um ano) |
Destaques do segundo trimestre de 2026. Fonte: Nubank
Nubank amplia base para 139 milhões de clientes
O banco adicionou cerca de 4 milhões de clientes no trimestre. No Brasil, chegou a quase 118 milhões e viu a taxa de atividade mensal superar 86% pela primeira vez. No México, alcançou 15,8 milhões (16 milhões em julho de 2026) e, após o lançamento do banco em agosto de 2026, tornou-se o maior banco digital do país. Na Colômbia, ultrapassou 5 milhões de clientes. A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) ficou em cerca de US$ 17.
Em julho de 2026, a companhia lançou o Croma, uma faixa dedicada a clientes “super core”, com crédito ampliado e benefícios adicionais, enquanto o Ultravioleta segue aprofundando o relacionamento no segmento de alta renda. No México, o Nu atende 16,5% da população adulta, patamar comparável ao do Brasil em 2020, mas com ARPAC de US$ 12,3, ante US$ 5,6 no Brasil no mesmo estágio.
Crédito e margem puxam o lucro
O lucro líquido alcançou US$ 1,1 bilhão, alta de 17% na comparação trimestral e de 49% em um ano. O lucro bruto somou US$ 2,4 bilhões, alta de 43% em um ano, e a margem financeira líquida ajustada ao risco subiu para 12,4%, ante 9,5% no primeiro trimestre. A receita financeira líquida de juros (NII) chegou a US$ 3,7 bilhões e a margem líquida de juros (NIM) avançou para 22,9%.
“Isso já não é mais uma hipótese e geramos mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido por trimestre”, afirma David Vélez, fundador e CEO global do Nubank.
A carteira de crédito total cresceu 37% em um ano, para US$ 39,4 bilhões, sendo US$ 26 bilhões em cartões de crédito. Os depósitos somaram US$ 45,3 bilhões. O índice de inadimplência de 15 a 90 dias melhorou para 4,8%, enquanto o atraso acima de 90 dias subiu para 6,9%, movimento que a empresa atribui à migração sazonal dos atrasos iniciais registrados no primeiro trimestre. Segundo a companhia, clientes que a têm como relacionamento bancário principal apresentam inadimplência próxima à metade da média da carteira. O Let’s Money mostrou como o Nu vem crescendo em crédito com IA sem elevar a inadimplência.
NuFormer no centro da operação
A companhia segue escalando o NuFormer, seu modelo fundacional de comportamento financeiro treinado com mais de uma década de transações de mais de 100 milhões de clientes. A versão mais recente quadruplicou a capacidade de contexto e a velocidade de treinamento e inferência. O modelo já está em produção em três carteiras: cartões de crédito no Brasil e no México e crédito sem garantia no Brasil. Agentes de IA já conduzem mais de 60% das conversas de atendimento ao cliente no Brasil, com desempenho equivalente ou superior ao humano. A estratégia de transformação com IA conecta análise de crédito, atendimento e crescimento em toda a companhia.
O que observar
Para o investidor, o ponto de atenção é se o retorno sobre o patrimônio na casa dos 30% se sustenta enquanto o banco amplia a exposição a segmentos de crédito de maior risco e financia a expansão internacional. Para os bancos incumbentes, o avanço de um banco digital nos segmentos de alta renda testa a régua de rentabilidade antes dominada pelas instituições tradicionais. No México, a baixa relação entre empréstimos e depósitos, em torno de 35%, sugere espaço para transformar captação em crédito nos próximos trimestres.
Fontes: Nubank • Nubank lança Croma • Nubank e crédito com IA • Estratégia de IA do Nubank