O Nubank é uma das quatro entidades selecionadas pelo governo português para apresentar proposta de compra do Banco Caixa Geral Brasil, braço brasileiro da estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD). A aquisição daria à fintech o ativo que o Banco Central exige: uma licença bancária completa no país onde nasceu e soma mais de 110 milhões de clientes.
VENDA DO BANCO CGD BRASIL: OS 4 CANDIDATOS
| Candidato |
Perfil |
| Nu Financeira S.A. |
Subsidiária da Nu Holdings (Nubank). Listada na NYSE, valor de mercado ~US$ 60 bi |
| Garantia Capital S.A. |
Gestora brasileira de investimentos |
| MD Capital Ltda. |
Empresa de participações |
| Sputnik LLC |
Empresa internacional de investimentos |
Prazo: propostas vinculantes a partir de abril/2026 | Conclusão estimada: 2027
Fonte: Diário da República de Portugal / Jornal PT50
Por que o Nubank precisa de uma licença bancária
O Nubank opera no Brasil com licença de instituição de pagamentos, financeira e corretora de valores, mas não possui licença de banco comercial ou múltiplo. A Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional em 2025, disciplinou a nomenclatura das instituições reguladas e criou pressão para que o Nubank formalize a estrutura como banco. Em dezembro de 2025, o CEO David Vélez admitiu à CNN Brasil que a empresa poderia fazer uma aquisição para obter a licença.
A compra do Banco Caixa Geral Brasil seria o caminho mais rápido. Criar um banco do zero exige processo regulatório de 12 a 18 meses com o BC. Comprar uma entidade já licenciada encurta o prazo para a transferência de controle, que pode levar de 6 a 9 meses após aprovação regulatória. A venda do braço brasileiro faz parte da estratégia de desinvestimento da CGD portuguesa, que já alienou posições na Águas de Portugal e no Banco Comercial do Atlântico (Cabo Verde).
O que diz o Nubank
Em nota enviada ao Let’s Money, o Nubank afirmou: “O Nubank já informou ao mercado que pretende obter uma licença bancária no Brasil neste ano e, nesse contexto, vem avaliando diferentes alternativas para atingir esse objetivo. Essas análises não significam uma decisão tomada ou definição sobre qualquer operação específica. Como companhia aberta, temos compromisso com a transparência e comunicaremos ao mercado quando qualquer decisão relevante for tomada.”
A corrida global de Vélez
O interesse no Banco CGD Brasil se insere num plano de expansão mais amplo. O Nubank negocia naming rights do estádio do Palmeiras por US$ 10 milhões ao ano e patrocinou o novo estádio do Inter Miami (clube de Messi), consolidando presença de marca nos EUA. Em janeiro de 2026, candidatou-se a uma licença bancária americana e recebeu aprovação condicional, com lançamento previsto em 18 meses.
Em entrevista recente ao Financial Times, Vélez declarou a ambição de transformar o Nubank de “um banco brasileiro para uma empresa tecnológica global que, por acaso, opera nos serviços financeiros”. A empresa já soma mais de 120 milhões de clientes em Brasil, México e Colômbia, com capitalização de mercado que atingiu US$ 77 bilhões em fevereiro de 2026 antes de recuar para cerca de US$ 60 bilhões. O Itaú BBA recomendou compra das ações após a correção recente.
O que observar
A disputa pela licença bancária expõe uma assimetria regulatória que persiste há anos: a maior instituição financeira digital do país, com mais de 110 milhões de clientes no Brasil, opera formalmente como instituição de pagamentos. A aquisição do Banco CGD Brasil resolveria o enquadramento regulatório, mas levanta questões sobre o que vem depois: se a licença bancária destravar novos produtos (como captação via CDB e LCA) ou se o impacto será majoritariamente de adequação regulatória sem mudança operacional relevante para o cliente.
O prazo é apertado. As propostas vinculantes devem ser apresentadas entre abril e junho de 2026, com conclusão estimada para 2027 após aprovação do BC e dos reguladores portugueses. Para os três concorrentes que disputam o ativo contra uma fintech com US$ 60 bilhões de valor de mercado, a questão é se conseguem oferecer condições que superem o interesse estratégico que o Nubank tem na licença, algo que para os demais candidatos pode ser apenas uma oportunidade de investimento.
Fontes: Jornal PT50 • Jornal PT50 (candidatos) • Nubank • Finsiders • Let’s Money