O Nu apresentou sua estratégia de inteligência artificial no Nu Videocast, sustentada por uma base de 135 milhões de clientes, mais de uma década de dados e um pool de talentos globais. Na conversa, o CTO Eric Young e o gerente geral de AI Core, Rohan Ramanath, detalharam como dados proprietários, modelos fundacionais e densidade de talento permitem ao Nu transformar o setor bancário por meio da IA, abrangendo concessão de crédito, experiência do cliente e operações internas.
A estratégia de IA do Nu em números
| Indicador |
Número |
| Base de clientes (taxa de atividade 83%) |
135 milhões |
| Receita média por cliente ativo (1T2026) |
~US$ 16 (vs ~US$ 40 em bancos tradicionais) |
| Usuários do AI Private Banker |
+15 milhões ativos mensais |
| nuFormer aplicado |
Maior segmento de crédito no Brasil, expandindo para México e Colômbia |
Dados da estratégia de IA do Nu. Fonte: Nu
nuFormer: o modelo no centro da decisão de crédito
No centro da estratégia está o nuFormer, o modelo fundacional proprietário e autossupervisionado do Nu. A precisão do modelo permite à companhia estender limites de crédito com segurança a clientes que teriam sido excluídos por modelos menos granulares, impulsionando ao mesmo tempo a inclusão financeira e o crescimento da receita. O nuFormer já está aplicado ao maior segmento de crédito do Nu no Brasil e se expande para empréstimos pessoais, além de México e Colômbia.
O modelo também retroalimenta as próprias melhorias: a equipe de pesquisa comprimiu o ciclo de experimentação de meses para um único dia, automatizando um laboratório que testa novas técnicas de artigos acadêmicos contra dados internos. O movimento dá sequência ao que o Let’s Money mostrou quando o Nubank passou a crescer em crédito com IA sem elevar a inadimplência. “Modelos melhores não apenas reduzem as perdas. Eles nos permitem estender crédito de forma segura e responsável a um número maior de pessoas. Isso é inclusão e rentabilidade juntas”, disse Rohan Ramanath, general manager de AI Core do Nu.
Três vantagens estruturais: dados, talento e cultura
A estratégia se apoia em três vantagens construídas ao longo de mais de uma década. A primeira é dados: a base de 135 milhões de clientes, com taxa de atividade de 83% e alta principalidade, oferece visão agregada do comportamento financeiro. A segunda é talento: o Nu aparece em listas como Melhores Empresas de 2026 do LinkedIn no Brasil, as mais bem avaliadas no Glassdoor em 2025 e o Forbes’ World’s Best Employers 2025, e a aquisição da Hyperplane em 2024 trouxe pesquisadores de IA do Google, da Meta, da Apple e da Microsoft.
A terceira é cultura: todos os funcionários têm acesso a ferramentas de IA, e a empresa mede uso e impacto em cada função. Um projeto de arquitetura de backend, por exemplo, foi acelerado em quase um ano com desenvolvimento assistido por IA. “Não basta ter um desses diferenciais, nem dois. É extremamente difícil construir os três e ainda mais difícil sustentá-los”, disse Ramanath.
AI Private Banker e o posicionamento competitivo
O Nu desenvolve o que chama internamente de AI Private Banker: um conjunto de recursos de IA para ajudar clientes a organizar finanças, gerenciar dívidas e tomar melhores decisões de crédito, levando ao bolso de centenas de milhões o tipo de inteligência antes restrito aos ultra-ricos. Algumas funcionalidades estão em teste há pelo menos seis meses e já somam mais de 15 milhões de usuários ativos mensais, com uma versão consolidada esperada em breve.
O pano de fundo é a receita: o Nu registrou receita média por cliente ativo de cerca de US$ 16 no primeiro trimestre de 2026, contra aproximadamente US$ 40 em bancos tradicionais, e aposta em personalização, venda cruzada e no consultor financeiro por IA para fechar essa lacuna. Um relatório recente do Morgan Stanley descreveu que o Nu aplica à IA o mesmo manual que inaugurou a era do banco digital, em linha com o que outros bancos sinalizam sobre o avanço da IA no setor financeiro. “Preferimos definir os novos padrões a esperar e reagir”, disse Eric Young, CTO do Nu.
O que observar
O movimento importa para clientes de baixa e média renda, justamente o público com acesso historicamente limitado a aconselhamento financeiro personalizado, e para quem disputa a concessão de crédito apoiada em dados proprietários. Vale acompanhar a chegada da versão consolidada do consultor por IA e em que ritmo a receita média por cliente ativo responde a essas iniciativas ao longo de 2026.
Fontes: Nu • Let’s Money • Let’s Money