A OnePay, fintech americana com 3 milhões de usuários ativos e parceria com o Walmart, lançou o Builder Card para facilitar a construção de crédito sem depósito, verificação ou taxa, adotando um modelo de inclusão financeira que fintechs brasileiras já praticam.
Builder Card: como funciona o ciclo
| Etapa |
Ação do cliente |
Resultado |
| Compra |
Usa o Builder Card dentro do saldo disponível |
App reserva os fundos automaticamente |
| Pagamento |
Quita com suporte do app |
Sem juros, sem taxa por atraso |
| Reporte |
Nenhuma ação extra |
Atividade positiva reportada aos três birôs de crédito |
Funcionamento do Builder Card da OnePay. Fonte: PYMNTS
Sem depósito e sem verificação de crédito
O Builder Card está integrado ao aplicativo OnePay e conectado à conta Cash do cliente. O produto elimina os principais obstáculos dos cartões de crédito convencionais: não exige depósito de segurança, não faz verificação de histórico de crédito e não cobra juros nem taxas por atraso ou tarifas mensais e anuais.
“Ao eliminar obstáculos como verificação de crédito, depósitos de segurança antecipados, taxas por atraso, mensais ou anuais e juros, o Builder Card torna a construção de crédito mais acessível, ao mesmo tempo que reforça hábitos financeiros saudáveis por meio de gastos diários”, afirmou a empresa em comunicado.
O superapp que foi além da conta
O Builder Card é mais um bloco no portfólio de produtos da OnePay, que alcançou avaliação de US$ 4 bilhões em janeiro de 2026, ante US$ 2,5 bilhões em 2024, após recompra de ações de funcionários. A plataforma já reúne cartão de crédito, negociação de criptomoedas, BNPL em compras no débito via Klarna e uma plataforma de investimentos.
Em 9 de abril, a OnePay anunciou parceria com a Workday para integrar ferramentas financeiras diretamente nos sistemas de benefícios de empregadores. Thomas Hoare, diretor comercial da OnePay, disse que o objetivo é levar “ferramentas financeiras abrangentes para os sistemas que os funcionários já usam todos os dias”.
O que observar
O produto inverte a lógica do cartão de crédito convencional: em vez de exigir histórico para liberar limite, usa o saldo disponível para simular o comportamento de crédito e construir histórico a partir de pagamentos reais. O risco de inadimplência é baixo porque o limite não ultrapassa o saldo, mas o valor para o consumidor é concreto: relatórios positivos nos birôs abrem portas para produtos com custo menor.
Vale acompanhar se o modelo gera mobilidade real de crédito ou apenas pontua nos birôs sem converter em acesso mais amplo. A integração com sistemas de benefícios de empregadores é o vetor de distribuição mais promissor: o canal empregador alcança populações com renda estável e pouco histórico formal, exatamente o perfil que mais se beneficia da construção de histórico.
Fontes: PYMNTS • PR Newswire • Let’s Money • Let’s Money