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Open Insurance avança, mas baixa demanda trava escala

Com 2 Spocs autorizadas até abril, o open insurance enfrenta baixa demanda e fricções na jornada do cliente para ganhar escala.

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O open insurance brasileiro conta com apenas duas Spocs autorizadas pela Susep e tem na baixa demanda do consumidor sua principal barreira comercial, com resultados concretos projetados para 2027, segundo diagnóstico do mercado e do regulador publicado pelo Valor Econômico.

Open Insurance no Brasil: situação em 2026

Dimensão Status
Spocs autorizadas (até abril/2026) 2 (Guru Spoc e Open Power)
Principal entrave (visão das seguradoras) Baixa demanda do consumidor
Gargalo operacional Fricções em autenticação e consentimento
Beneficiadas atuais Seguradoras ligadas a conglomerados financeiros
Caminho de aceleração Integração com o open finance
2026 Revisão regulatória e fortalecimento da governança
Resultados concretos esperados A partir de 2027

Diagnóstico do mercado segurador e da Susep publicado em maio de 2026. Fonte: Valor Econômico

Infraestrutura implantada, demanda do consumidor ainda limita escala

A agenda regulatória da Susep avançou, a infraestrutura foi implantada e o setor segurador passou a operar com um novo modelo de compartilhamento de dados. O que falta, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), é uso. “Do ponto de vista das seguradoras, o principal entrave para o open insurance ganhar escala comercial hoje é, sobretudo, a baixa demanda do consumidor”, afirma Alexandre Leal, diretor-técnico, de estudos e de relações regulatórias da CNseg.

A raiz do problema está no comportamento: “O cliente não tem o hábito de acessar frequentemente plataformas de seguradoras, como faz com aplicativos bancários”, diz Leal. Diferente do open finance, o seguro não está no fluxo digital cotidiano da maioria das pessoas, o que torna a etapa de autenticação e consentimento uma barreira adicional num ambiente com o qual o consumidor já interage pouco. Por isso ganha força a ideia de levar o open insurance para canais financeiros onde o cliente já está presente. Iniciativas como a da SeguroHub já experimentam combinar open insurance com IA para criar pontos de entrada nos canais digitais.

Duas Spocs autorizadas e fricções persistentes na jornada do cliente

As Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente (Spocs) são apontadas pela Susep como potenciais vetores de inovação, por nascerem com foco integral em tecnologia e serviços. Até abril de 2026, apenas a Guru Spoc e a Open Power tinham autorização do regulador, com novas aprovações esperadas para corretores interessados em atuar na interseção entre open banking e open insurance. Mesmo autorizadas, as Spocs ainda enfrentam ajustes regulatórios e operacionais.

“Na prática, o principal desafio hoje é fazer a jornada do cliente funcionar com fluidez de ponta a ponta”, resume Icaro Leite, CEO da Guru Spoc. O ecossistema evoluiu em governança, segurança e estrutura, mas carrega fricções nas etapas de autenticação e consentimento. “O desafio agora é consolidar a infraestrutura com escala, governança e modelos de distribuição capazes de capturar o valor dos dados”, acrescenta Manuel Matos, coordenador do Comitê de Inovação em Seguros da Câmara Brasileira da Economia Digital. As seguradoras ligadas a conglomerados financeiros levam vantagem por já operarem integradas ao open finance, criando assimetria competitiva em relação a participantes independentes.

Susep projeta revisão em 2026 e resultados para 2027

Para a Susep, a direção estratégica não está em dúvida, mesmo com os desafios. “O open insurance ainda enfrenta desafios e resistências, mas não dá para partir do pressuposto de que esse ecossistema não dará certo”, afirma Júlia Normande, diretora da Susep. “Hoje, muitas empresas ainda enxergam o open insurance como custo regulatório. O desafio é fazer com que ele passe a ser visto como modelo de negócio, de melhoria de processos e de atendimento ao cliente”, completa. A projeção é que “os resultados mais concretos em termos de serviços devem começar a aparecer a partir de 2027. O ano de 2026 será muito importante para revisão, ajustes regulatórios e fortalecimento da governança.”

O superintendente Alessandro Octaviani insere o open insurance numa agenda mais ampla de resiliência econômica: “A preocupação da Susep vai além da penetração. O centro da nossa agenda é a resiliência da economia brasileira.” Para Octaviani, isso passa por “ampliar a base segurada, trazer novos arranjos para o mercado regulado e avançar em agendas como seguro rural, catástrofe e open insurance.” O seguro rural é uma das fronteiras onde fintechs brasileiras já testam modelos baseados em dados para ampliar a cobertura.

O que observar

A aposta de acelerar o ecossistema via integração com canais financeiros onde o consumidor já está ativo inverte a lógica original de construir uma interface própria para o compartilhamento de dados de seguros. Se a integração funcionar, resolve o problema de hábito. Se não, cria uma dependência estrutural dos canais bancários que pode concentrar ainda mais poder nos grupos que já operam seguradoras integradas a bancos, aprofundando a assimetria entre participantes obrigados e voluntários.

O prazo de 2026 para revisão regulatória e 2027 para resultados concretos é a principal variável a monitorar. A revisão precisa endereçar três pontos simultaneamente: ampliar a base de participantes obrigados para reduzir distorções competitivas, simplificar o fluxo de consentimento para reduzir fricções operacionais e criar casos de uso que demonstrem geração de valor real para seguradoras. Sem os três, o risco é que o sistema permaneça como custo de compliance sem contrapartida comercial para a maioria dos participantes.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money

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