A OpenAI substituiu a regra de 20% de toda a sua receita por um teto fixo de US$ 38 bilhões no contrato com a Microsoft, poupando cerca de US$ 97 bilhões em repasses até 2030 em relação ao que seria pago sob o acordo original, segundo o The Information.
OpenAI e Microsoft: contrato antigo vs. novo acordo
Cláusula
Contrato original
Novo acordo
Repasse à Microsoft
20% da receita total
Teto fixo US$ 38 bi
Estimativa até 2030
Até US$ 135 bi
Máximo US$ 38 bi
Cláusula AGI
Alterava mecanismo de repasse
Eliminada
Infraestrutura de nuvem
Exclusividade Azure
Não exclusivo; AWS e GCP permitidos
Acesso à IP da OpenAI
Não definido no texto original
Garantido até 2032
Termos do acordo OpenAI e Microsoft renegociado em outubro de 2025. Fonte: Exame
O que cada lado ganhou
A renegociação foi fechada em outubro de 2025, no mesmo contexto da conversão da OpenAI para empresa de benefício público (PBC), controlada pela fundação sem fins lucrativos que a criou. A própria diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, comunicou os novos parâmetros a investidores.
A Microsoft abdicou da participação direta na receita e saiu com três ativos: uma fatia de 27% na OpenAI Group PBC, avaliada em cerca de US$ 135 bilhões, um compromisso de consumo de US$ 250 bilhões em serviços Azure ao longo dos próximos anos, e acesso garantido à propriedade intelectual da OpenAI até 2032. Dan Ives, analista da Wedbush, avalia que o novo arranjo consolida seis anos de acesso à tecnologia e resolve a instabilidade que rondava a parceria desde que a OpenAI acelerou seu crescimento.
A cláusula de AGI também foi eliminada. No contrato original, um painel independente que declarasse a atingimento de inteligência geral artificial poderia alterar de forma significativa o mecanismo de repasse. No novo acordo, a verificação de AGI ainda encerra os direitos de pesquisa da Microsoft, mas não afeta os valores pagos.
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Fim da exclusividade com o Azure
Até outubro, a Microsoft detinha o direito exclusivo de fornecer infraestrutura de nuvem à OpenAI. Os produtos da empresa continuam sendo lançados primeiro no Azure quando a infraestrutura necessária estiver disponível, mas a OpenAI pode agora contratar Amazon Web Services e Google Cloud para outros serviços. A abertura já gerou tensão: o Financial Times informou que, em março, a Microsoft avaliou entrar com ação judicial contra a Amazon e a OpenAI após um contrato de US$ 50 bilhões que daria à AWS direitos preferenciais de hospedagem para a plataforma corporativa Frontier.
A disputa gira em torno de uma interpretação contratual: a Microsoft entende que qualquer produto baseado em API da OpenAI deve rodar no Azure; a OpenAI considera o Frontier uma categoria diferente. Segundo o Financial Times, a Amazon chegou a discutir um aporte de até US$ 50 bilhões na OpenAI, o que indica que a disputa pela hospedagem vai além de uma briga bilateral. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação que bancos também adotam ao reduzir dependência exclusiva da OpenAI.
IPO no horizonte
A OpenAI mira abertura de capital no quarto trimestre de 2026. Segundo Ives, dois dos principais entraves para a listagem eram exatamente os pontos renegociados: a exclusividade com o Azure e a cláusula de escalada de pagamentos vinculada à AGI. Com ambos removidos, o caminho para o mercado público ficou mais desobstruído. O cenário contrasta com o de outras empresas de IA: a Anthropic enfrenta atrito político antes de seu próprio IPO, enquanto a OpenAI resolve pendências contratuais.
A OpenAI fechou acordo com o Pentágono em março, sinalizando diversificação de clientes além da esfera comercial. O conjunto dos movimentos recentes aponta para uma empresa em fase de preparação ativa para o mercado público: simplificação da estrutura de obrigações, diversificação de infraestrutura e expansão de contratos institucionais.
O que observar
O teto de US$ 38 bilhões só representa uma poupança real se a receita da OpenAI crescer o suficiente para que 20% superasse esse valor antes de 2030. A projeção de US$ 135 bilhões depende de hipóteses de crescimento que precisam se confirmar. O acordo captura uma assimetria de informação: a OpenAI sabia qual trajetória de receita tornaria o teto vantajoso; a Microsoft aceitou o risco em troca de equity e volume contratual no Azure.
A abertura do fornecimento de nuvem cria um risco regulatório novo para a Microsoft: se a AWS firmar posição como infraestrutura dominante para produtos de IA generativa, a vantagem competitiva que a parceria oferecia ao Azure se dilui. A resolução da disputa sobre o Frontier Platform vai estabelecer o precedente contratual para como outros modelos de distribuição de IA serão negociados entre grandes provedores e desenvolvedores de fundação.