O PagBank fechou o segundo trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 576 milhões, estável ante o trimestre anterior. O número veio com um sinal amarelo: a inadimplência subiu a 3,4%, à medida que a fintech empurra a carteira para linhas de crédito sem garantia, mesmo com o volume de pagamentos de volta ao crescimento anual.
Inadimplência acima de 90 dias no PagBank
| Período |
Inadimplência (90+ dias) |
| Junho de 2025 |
2,5% |
| Março de 2026 |
3,05% |
| Junho de 2026 |
3,4% |
Inadimplência acima de 90 dias na carteira de crédito do PagBank. Fonte: Valor Econômico
Crédito cresce, e a inadimplência junto
O crédito na carteira somou R$ 5,1 bilhões ao fim de junho, um salto de 30,7% em doze meses. O custo desse avanço aparece na inadimplência, que saiu de 2,5% um ano atrás para 3,4%. O PagBank credita a piora à troca no perfil da carteira, cada vez mais concentrada em linhas sem colateral, e diz que é movimento planejado. “Quando a gente olha nossa ambição de longo prazo, vou sair de um mix que era 90/10 [proporção de carteira com e sem garantia] para algo muito mais equilibrado, 70/30, 60/40”, disse o vice-presidente financeiro, Gustavo Sechin, que projeta a inadimplência seguir em alta. O CEO Carlos Mauad reforça a guinada: “O próprio cartão de crédito é bastante importante dentro da estratégia de engajamento e crescimento da base.” A virada acontece num pano de fundo em que a inadimplência do crédito no país renova recordes.
Volume volta, receita patina
No braço de adquirência, o volume total processado (TPV) somou R$ 133,4 bilhões entre abril e junho, alta de 3% em um ano, o primeiro avanço anual depois de doze meses de retração. A receita não seguiu no mesmo ritmo: a linha de pagamentos caiu 4,7% na comparação anual, para R$ 2,556 bilhões, enquanto os serviços bancários saltaram 28,9%, para R$ 824 milhões. Mauad atribui o descompasso a uma reprecificação feita no aperto da Selic. “A gente fica um pouco com essa dicotomia de tentar equilibrar os elementos de rentabilidade com crescimento”, afirmou. Três meses antes, a fintech já havia lucrado R$ 575 milhões e expandido o crédito em 36%.
O que observar
O trimestre expõe a aposta da fintech: abrir mão de qualidade de crédito no curto prazo para ganhar engajamento e receita de juros adiante. A lógica fecha no papel, porque carteiras sem garantia rendem spreads maiores, mas tudo depende da execução. Vale acompanhar se a inadimplência sobe de forma controlada, dentro do que o provisionamento absorve, ou se acelera antes de a base mais engajada compensar o risco assumido. O segundo ponto é a receita de adquirência: se o volume volta a crescer enquanto a receita encolhe, a pressão de preço nas maquininhas segue comprimindo a margem, e a recuperação de TPV rende pouco resultado. A queda esperada da Selic joga a favor nos dois lados, no custo de captação e no apetite do cliente por crédito, mas o intervalo entre girar o portfólio e colher o retorno é justamente onde o risco mora.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money