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Paris assume Anbima e mira regulação de títulos bancários

Roberto Paris, do Bradesco, assume a Anbima e anuncia regulação para títulos bancários, segmento que alimentou o rombo de R$ 52 bi no FGC.

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Atualizado em

Roberto Paris assume hoje a presidência da Anbima com agenda declarada de ampliar a transparência na distribuição de títulos bancários, segmento que ficou fora do escopo da CVM e cujo vazio regulatório contribuiu para o crescimento descontrolado do Banco Master.

O gap regulatório que Paris quer fechar

Produto Regulador Transparência de custos
Fundos de investimento CVM Obrigatória (Res. 179)
CDB, letras financeiras Banco Central Não obrigatória
COE Banco Central Não obrigatória

Escopo da Resolução 179 da CVM e produtos fora do guarda-chuva. Fonte: Valor Econômico

38 anos no Bradesco, R$ 10,8 trilhões na Anbima

Diretor-executivo do Bradesco desde 2019, Paris ingressou no banco em 1987 e construiu carreira integralmente na instituição. Assume a entidade num momento em que ela supervisiona R$ 10,8 trilhões em fundos de investimento e o mercado de capitais registrou R$ 180 bilhões em emissões no primeiro trimestre de 2026.

A posse acontece em meio aos desdobramentos do caso Master. As operações Carbono Oculto e Compliance Zero da Polícia Federal investigam o Banco Master de Daniel Vorcaro por suspeita de fraude, e a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM expôs fragilidades na cadeia de distribuição de produtos bancários. “O que aconteceu afeta uma parcela muito pequena em relação ao tamanho que atingiu, de R$ 10 trilhões sob gestão”, disse Paris em sua primeira entrevista como presidente da entidade.

A agenda regulatória que a CVM não alcançou

A prioridade declarada de Paris é expandir as regras de abertura de custos para títulos bancários. A Resolução 179 da CVM criou obrigações de transparência para produtos sob seu guarda-chuva, mas CDBs, letras financeiras e COEs ficaram de fora, sob alçada do Banco Central. A Anbima já atualizou seu código de distribuição para disciplinar o uso do FGC como argumento de venda, prática que impulsionou a captação do Master até gerar um rombo de mais de R$ 52 bilhões no fundo garantidor, coberto pelos grandes bancos.

“A preocupação é incentivar os distribuidores a fazerem com que o investidor compre um determinado ativo financeiro com base nas características daquele ativo e como ele se encaixa no seu portfólio, da forma mais transparente possível, sem que use o FGC como único argumento ou principal argumento de vendas”, afirmou Paris. Em paralelo, discute-se se distribuidores deveriam contribuir com o fundo garantidor, hoje bancado apenas pelas instituições financeiras. Paris defende que o Banco Central abra audiência pública antes de qualquer decisão nessa direção.

Tecnologia também consta da agenda. A Anbima acompanha projetos de inteligência artificial e tokenização de ativos, incluindo cotas de fundos. “O fato de tokenizar um ativo não faz com que você deixe de ter as obrigações que teria se tivesse vendendo aquele ativo da forma anterior”, disse Paris.

O que observar

O teste da nova gestão começa nos próximos meses, quando o BC deverá se manifestar sobre os gaps que a Resolução 179 da CVM não alcançou. A questão central é se o fórum correto para isso é uma audiência pública do regulador prudencial ou se a autorregulação da entidade avança para preencher o vácuo. Distribuidores que comercializam CDBs e letras financeiras usando o FGC como principal argumento de venda são os atores mais diretamente impactados: qualquer mudança nas regras de contribuição ao fundo altera a equação de custo de distribuição nesse segmento.

Vale acompanhar também a agenda de tokenização. A entidade já sinaliza preocupação com estruturas que considera desviadas dos interesses legítimos do investidor, o que pode se traduzir em normas concretas ainda em 2026.

Fontes: Valor EconômicoAnbimaAgência BrasilLet’s Money

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