O PayPal colocou sua stablecoin PYUSD nativamente na rede Polygon, através do Open Money Stack. Na prática, empresas passam a receber em saldo bancário, mover o dinheiro entre países como stablecoin e sacar em moeda local numa única integração, com o compliance embutido.
Polygon e PYUSD em números
| Indicador |
Valor |
| Stablecoins já liquidados na Polygon |
US$ 2,6 trilhões |
| Oferta de stablecoins na rede |
US$ 3,4 bilhões (dobrou em 1 ano) |
| Emissor do PYUSD |
Paxos, regulado pela OCC |
| Prazo citado até o GENIUS Act |
10 dias |
Indicadores da rede Polygon e do PYUSD no anúncio. Fonte: Merchants Eye
Um trilho único para pagamento internacional
O alvo do movimento são fluxos de alto atrito, como folha de pagamento internacional e repasses de marketplace, onde taxas de intercâmbio e margens de câmbio costumam corroer o resultado. Em vez de costurar fornecedores separados para entrada de fiat, custódia de token e compliance, a empresa faz tudo numa integração só. Em tradução livre, “uma stablecoin só é tão útil quanto os lugares aonde ela pode ir e o que consegue fazer quando chega lá”, disse Marc Boiron, CEO da Polygon Labs.
O passo se soma à expansão do PYUSD para 70 países no início de 2026 e a uma rede que outras fintechs já usam para pagamentos com stablecoins. Segundo o anúncio, a oferta de stablecoins na Polygon mais que dobrou no último ano, apoiada por nomes como Stripe e Revolut.
PayPal aposta em trilho próprio
O PYUSD é emitido pela Paxos sob um charter nacional supervisionado pela OCC, o que a empresa apresenta como o lastro regulatório exigido por quem precisa cumprir regras de prevenção à lavagem de dinheiro ao mover recursos entre países. “Nosso papel, como emissor regulado do PYUSD, é levar stablecoins confiáveis a empresas e instituições onde quer que precisem delas”, disse Peter Jonas, diretor de receita da Paxos, em tradução livre.
A aposta em um trilho proprietário contrasta com o movimento de um consórcio de bancos e redes de cartão, que prepara uma stablecoin compartilhada e não inclui Paxos nem PayPal. No mês passado, a Mastercard habilitou liquidação com stablecoins reguladas em sua rede, sinal de que a disputa por padrão de liquidação em dólar digital se intensifica.
O que observar
O anúncio reforça a leitura de stablecoin como infraestrutura de pagamento, não mais como ativo especulativo. Quem sente primeiro são as fintechs de remessa e os provedores de pagamento internacional, cujo diferencial de custo e velocidade sobre o sistema de bancos correspondentes passa a depender de trilhos como esse. Vale acompanhar se a liquidação corporativa em stablecoin regulada realmente vira padrão fora dos EUA ou fica restrita a nichos.
No Brasil, a ponta cambial segue caminho oposto: o Banco Central restringiu o uso de stablecoins na liquidação de operações de câmbio, com regra que entra em vigor em outubro de 2026 e mantém esse uso apenas para prestadores autorizados. A pergunta local é quanto do fluxo de pagamento internacional em stablecoin consegue operar dentro do perímetro supervisionado pelo BC, e quanto migra para provedores licenciados.
Fontes: Merchants Eye • American Banker • Conjur