O Pix parcelado abriu a carteira do consumidor para gastos que o cartão não comportava. Um novo estudo da PiniOn aponta que 74,4% das pessoas afirmam que a ferramenta permitiu compras impossíveis por outros meios. O contraste vem logo em seguida: só 12,5% de fato já usaram.
Pix parcelado: benefício alto, adesão baixa
| Percepção do consumidor |
Fatia |
| Dizem que viabilizou compra impossível por outros meios |
74,4% |
| Já usaram o Pix parcelado |
12,5% |
| Temem perder controle e se endividar |
23% |
| Temem golpes e fraudes |
19,8% |
| Não usariam Open Finance nem com juro menor |
32,6% |
Estudo de Prateleira 2026 da PiniOn. Fonte: TI Inside
O benefício está claro, a adesão não
O levantamento inaugura o formato “Estudo de Prateleira” da PiniOn, pesquisa temática pré-estruturada que a empresa vende como diagnóstico pronto de mercado. O primeiro recorte olha a disputa pelo crédito no consumo e mostra um produto reconhecido, mas ainda pouco rodado: enquanto quase três em cada quatro pessoas enxergam o Pix parcelado como destravador de compra, apenas 12,5% dos entrevistados já experimentaram a ferramenta.
O freio aparece nos números seguintes. Entre os que hesitam, 23% temem perder o controle financeiro e se endividar, e 19,8% receiam golpes e fraudes. A adoção do produto no país ainda é medida de formas diferentes: pesquisa de meios de pagamento da CNDL e SPC Brasil aponta 38% de consumidores que já usaram ou experimentaram o Pix parcelado, número mais alto que o da PiniOn e que reflete redação e amostra distintas. A infraestrutura ainda está em construção: o Banco Central mantém a padronização do Pix parcelado como meta, mas sem data definida.
Open Finance esbarra na desconfiança com dados
A resistência se estende ao trilho que deveria baratear o crédito. Mesmo diante da possibilidade de condições mais vantajosas, 32,6% dos entrevistados afirmam que não usariam o Open Finance nem com a promessa de juros mais baixos. O sistema de compartilhamento de dados segue amadurecendo no lado regulatório, já que o Open Finance ainda espera regra do BC sobre a venda de dados.
“Embora os consumidores reconheçam os benefícios de ferramentas como o Pix parcelado e o Open Finance, ainda existem barreiras relacionadas à segurança, ao compartilhamento de dados e ao receio de endividamento”, disse Matheus Magnus, Head de Negócios do PiniOn. Para ele, educação financeira e construção de confiança serão fatores decisivos para acelerar a adoção nos próximos anos.
O descompasso é o ponto central: o produto já é reconhecido e, na prática, roda entre grandes bancos e lojistas que já embutiram o Pix parcelado na jornada de compra. Ainda assim, entender como a ferramenta funciona não virou uso corrente para a maioria dos consumidores.
O que observar
A lacuna entre percepção de benefício e uso real é o dado mais revelador. Quando a maioria enxerga valor mas a minoria adota, o gargalo raramente é o produto, e sim a confiança. Vale acompanhar se fintechs de crédito e adquirentes vão tratar o medo de endividamento e de fraude como problema de comunicação e de desenho de jornada, e não apenas de taxa. A pergunta operacional é qual camada de garantia e de transparência sobre parcelas em aberto reduz o receio de perder o controle, o item que mais trava a adesão.
No trilho de dados, a resistência de um terço dos consumidores em compartilhar informações sugere que o argumento de juro menor, sozinho, não sustenta a decisão. Se a desconfiança com uso de dados persistir mesmo com ganho financeiro na mesa, o teste para o ecossistema passa a ser menos sobre oferta e mais sobre percepção de segurança, com prazo indefinido enquanto o arcabouço regulatório de crédito e de dados continua em ajuste.
Fontes: TI Inside • AdNews • CNDL • Let’s Money • Let’s Money