Pesquisadores da Columbia Law School identificaram pelo menos US$ 143 milhões em lucros anômalos na Polymarket nos últimos dois anos, em operações com sinais de uso de informação privilegiada. O estudo analisou mais de 93 mil mercados e 50 mil carteiras, revelando que traders sinalizados alcançaram taxa de acerto de 69,9%, mais de 60 desvios-padrão acima do acaso.
Operações suspeitas na Polymarket (fev/2024 a fev/2026)
| Caso | Investido | Lucro | Padrão |
|---|---|---|---|
| Ataque ao Irã (6 carteiras) | n/d | US$ 1,2 mi | Carteiras criadas minutos antes |
| “Magamyman” (Irã) | n/d | US$ 553 mil | 1ª operação 71 min antes do evento |
| “Burdensome-Mix” (Maduro) | US$ 38,5 mil | US$ 485 mil | Apostas horas antes do anúncio |
| 38 carteiras vinculadas (Irã) | n/d | US$ 2+ mi | Mesmo controlador, 100% acerto |
Lucro agregado anômalo: US$ 143 mi em 210 mil pares carteira-mercado. Fonte: Harvard Law School / Columbia
As operações sob suspeita
O caso mais emblemático envolve apostas sobre os ataques dos EUA ao Irã em 28 de fevereiro de 2026. Seis carteiras recém-criadas lucraram coletivamente US$ 1,2 milhão. Uma conta chamada “Magamyman” fez sua primeira operação 71 minutos antes do noticiário, quando a probabilidade do mercado era de 17%, e embolsou cerca de US$ 553 mil. Outro perfil, “Burdensome-Mix”, transformou US$ 38,5 mil em US$ 485 mil apostando na captura de Nicolás Maduro horas antes do anúncio oficial.
A investigação independente da Bubblemaps, firma de análise forense de blockchain, identificou 38 carteiras aparentemente controladas pela mesma pessoa que lucraram mais de US$ 2 milhões com as apostas sobre o Irã. Nicolas Vaiman, CEO da Bubblemaps, afirmou que “a combinação de fatores que observamos exibe todos os sinais potenciais de uso de informação privilegiada: apostas bem sincronizadas justo antes da resolução do mercado, contas novas e altas taxas de acerto”.
A Polymarket movimentou US$ 529 milhões apenas em apostas sobre o Irã, volume que expôs a escala do problema. Na última semana de março, Polymarket e Kalshi juntas atingiram US$ 6 bilhões em volume teórico. A Polymarket atualizou suas regras internas proibindo operações com informações roubadas ou confidenciais, mas a fiscalização permanece limitada: a bolsa principal opera no exterior sem coletar identificação dos usuários além de um e-mail.








