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Porto Asset: pior do crédito está passando

Diretor da Porto Asset vê virada no crédito após 10 a 15 nomes caírem a 70% do par em petroquímica e siderurgia. Selic terminal revisada a 13,5%.

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· 4 min

Atualizado em

Foto de Towfiqu barbhuiya na Unsplash

A Porto Asset identificou 10 a 15 nomes corporativos negociando a cerca de 70% do par e revisou a Selic terminal de 12,5% para cerca de 13,5% em função do petróleo a US$ 100. Mesmo assim, a gestora avalia que o pior do crédito privado está passando e começa, de forma gradual, a recompor posições.

Mercado de crédito: termômetro Porto Asset

Indicador Status
Selic terminal revisada 12,5% → 13,5% (pode parar antes)
Nomes corporativos em alerta 10-15 negociando a ~70% do par
Setores em estresse Petroquímica, siderurgia
Emissões canceladas (2-3 semanas) Praticamente todas
NTN-B IMAB-5 (juro real) 7%–7,5%: favorável

Dados de entrevista de Izak Benaderet ao Intraday, blog do Valor Econômico. Fonte: Valor Econômico

Petróleo, Selic e o estresse de março

“Março foi definitivamente um mês difícil, com um evento que mexeu fortemente com as expectativas”, disse Izak Benaderet, diretor executivo da Porto Asset, em entrevista ao blog Intraday, do Valor Econômico. A alta do petróleo para US$ 100 recolocou a inflação de energia no radar e forçou a gestora a rever a Selic terminal de 12,5% para 13,5%, com possibilidade de interrupção antes caso o quadro piore. “O mais importante não é nem o nível, mas a perspectiva de que ele pode ir para US$ 120, US$ 150”, afirmou Benaderet.

O movimento no petróleo se somou a preocupações fiscais que o mercado já vinha precificando. Segundo o diretor, o governo estaria sinalizando incentivos apoiados nos ganhos de exportação de petróleo, mas o mercado teme que sejam tratados como permanentes. “A curva de juros mais longa já incorpora um prêmio de risco maior, refletindo essa mudança de percepção fiscal”, disse. No ciclo anterior, em março, o Focus mediano ainda apontava Selic a 12,13%.

De 10 a 15 nomes perto do default: “mais grave que Americanas”

“Levantamos ali algo como 10 a 15 nomes que eram classificados como pouco arriscados até pouco tempo e hoje estão negociando a cerca de 70% do par”, afirmou Benaderet. Segundo ele, petroquímica e siderurgia concentram os casos mais críticos, mas o problema tem potencial de contágio. “O quadro é até mais preocupante do que na época das Lojas Americanas, pelo potencial de algo mais generalizado.” Praticamente todas as emissões de dívida das últimas duas a três semanas foram canceladas, e o problema se estende a nomes antes considerados seguros: montadoras tiveram que cancelar captações a CDI + 0,3%.

O mecanismo é de ciclo vicioso: fundos sob resgate vendem para fazer caixa, o comprador natural recua, spreads abrem e a perda de marcação induz novos resgates. A inadimplência de pessoas físicas já havia atingido recorde em janeiro, e o estresse corporativo agora se soma a esse quadro. A mesma dinâmica pressionou grandes gestoras no mercado americano em março, apontando para um risco comum ao ciclo global de crédito.

Ainda assim, Benaderet vê abertura de oportunidade: “Temos debatido bastante e acreditamos que o pior está passando.” A Porto Asset começa a aumentar gradualmente a alocação em crédito, focando em empresas com alavancagem dentro de covenants e capacidade de atravessar o período. A gestora também gosta de NTN-B IMAB-5, com juro real entre 7% e 7,5%, como posição de médio prazo com assimetria favorável. Para a bolsa, mantém alocação abaixo do benchmark, após concentração da alta do primeiro trimestre em poucos papéis como Petrobras, Vale e grandes bancos.

O que observar

A sinalização de reentrada gradual em crédito por uma gestora de porte pode funcionar como referência para outros alocadores, mas o timing é disputado: ainda há bolsões de crédito privado com desequilíbrio e os nomes corporativos em estresse ainda não chegaram a um evento de crédito concreto. A pergunta é se o mercado consegue absorver o fluxo de resgates antes que alguma das 10 a 15 empresas em risco acione um gatilho de default.

O risco fiscal é a variável mais difícil de precificar: se os incentivos fiscais anunciados pelo governo se consolidarem como permanentes, a curva longa fecha espaço para o ciclo de alívio que o mercado de crédito precisa para normalizar. Fundos com prazo de cotização mais curto e carteiras concentradas em papéis longos de isentas são os mais expostos a novas ondas de resgate caso a volatilidade da curva continue.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money

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