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Reconhecimento facial chega a 84% dos bancos, revela EY

EY: 84% dos bancos usam reconhecimento facial no onboarding, mas só 1 em 3 adota IA para prevenir crimes. CIN integra biometria federal.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Shutterstock

Oito em cada dez bancos comerciais brasileiros (84%) usam reconhecimento facial para validar a identidade no onboarding, mas apenas um em cada três instituições financeiras adota inteligência artificial para prevenir crimes financeiros, segundo a Pesquisa de Maturidade PLD/FTP da EY, que ouviu 51 IFs de diferentes portes.

Verificação de identidade: adoção por tecnologia

Tecnologia Bancos Inst. Pagamento
Reconhecimento facial 84% 83%
Geolocalização 53% 33%
Consulta a birôs 89% 100%
Validação documental 89% n/d
IA para PLD 33% das IFs (geral)

Adoção de tecnologias de verificação nas IFs. Fonte: TI Inside Brasil

Biometria madura, IA em fase inicial

“Isso reforça seu papel de vanguarda em práticas de onboarding seguro. As instituições de pagamento têm um índice semelhante, mais precisamente de 83%, o que demonstra a maturidade desse mercado”, disse Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. As soluções tradicionais ainda coexistem com a biometria: 89% dos bancos comerciais e todas as instituições de pagamento consultam birôs de crédito no processo de abertura de conta. A geolocalização é usada por 53% dos bancos e 33% das IPs. Já a biometria no varejo avança por outros canais, com aplicações que vão além do onboarding.

A IA, por outro lado, ainda tem penetração baixa no combate a crimes financeiros. Apenas 33% das IFs ouvidas pela EY utilizam modelos disruptivos de IA para detectar operações suspeitas, com adoção concentrada nas instituições de maior porte. “Os reguladores estão incentivando o uso de IA em processos que possam auxiliar a triagem de indícios ou a identificação de padrão suspeito. Por causa do alto volume de transações, fazer isso apenas com análise humana é impossível”, afirmou Grigolin. A concentração da adoção nas instituições S1 é consistente com o que o setor público também observou: grandes operações já usam IA, mas o mercado como um todo ainda dá os primeiros passos.

CIN conecta biometria federal ao sistema financeiro

A Febraban assinou um Acordo de Cooperação Técnica com o governo federal para integrar a Carteira de Identidade Nacional (CIN) ao sistema bancário. O objetivo é permitir que as IFs consultem, via API e com consentimento do usuário, dados biográficos e biométricos da CIN para reduzir fraudes e custos operacionais. A infraestrutura possibilita que serviços públicos e privados verifiquem a identidade de uma pessoa consultando diretamente a base da nova carteira.

“Ao observar quem não adota essas soluções modernas, é possível perceber que 80% das IFs pertencem às categorias S3, S4 e S5, reforçando que o porte continua sendo determinante para a velocidade de adoção da tecnologia”, disse Grigolin.

O que observar

O gap entre a maturidade biométrica (84%) e a adoção de IA para prevenção a crimes financeiros (33%) aponta uma assimetria estrutural: o investimento em verificação de identidade no onboarding avançou mais rápido do que os sistemas de monitoramento contínuo. A integração da CIN ao sistema bancário via API pode reduzir o custo desse compliance para instituições menores, mas a lacuna de IA tende a persistir enquanto o porte for o fator determinante de adoção.

A questão central para os próximos ciclos regulatórios é se o incentivo ao uso de IA para PLD vai se traduzir em exigência ou apenas orientação. Com 80% das IFs sem soluções modernas concentradas nos segmentos S3-S5, o mercado corre o risco de ter uma camada de compliance de alta tecnologia restrita às maiores instituições e a infraestrutura mais frágil exatamente onde a capacidade de monitoramento é menor.

Fontes: TI Inside BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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