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Regulação criptobanco central · Banco Central

BC exige até R$ 37,2 mi e enxuga mercado cripto no Brasil

Capital mínimo de até R$ 37,2 milhões e prazo em 30 de outubro devem enxugar o mercado cripto no Brasil; só cerca de dez empresas obteriam licença.

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Diego Grandi / Shutterstock.com

O Banco Central fixou em até R$ 37,2 milhões o capital mínimo para operar com criptoativos no Brasil, valor muito acima da proposta inicial. O efeito já aparece no mercado: executivos do setor estimam que, das 150 a 200 empresas em atividade, só cerca de dez devem obter a licença exigida pelo regulador.

Capital mínimo exigido das cripto disparou

Etapa Capital mínimo exigido
Consulta Pública 109/2024 (proposta) R$ 1 mi a R$ 3 mi
Regulamentação definitiva (nov/2025) R$ 10,8 mi a R$ 37,2 mi

Capital social mínimo para prestadoras de ativos virtuais. Fonte: Valor Investe

A régua que o Banco Central levantou

O novo arcabouço veio em três resoluções do Banco Central, em vigor desde fevereiro de 2026, e batizou de PSAV, sigla para prestadora de ativos virtuais, a empresa que quiser seguir autorizada no setor. O dinheiro em caixa é só uma das barreiras: quem entra na fila precisa montar área de risco, trilha de auditoria, defesa cibernética e rotinas contra fraude e lavagem, além de prestar contas ao regulador com frequência.

Quem já rodava antes das novas regras tem até o dia 30 de outubro para dar entrada no pedido de licença; sem esse primeiro passo, fecha as portas em um mês. Escapam da conta apenas os bancos que já carregam autorização do regulador e as gestoras de recursos, fiscalizadas pela CVM.

O ritmo da regulação virou alvo de crítica no setor. “O maior problema foi esse sequenciamento, que veio tudo muito junto e rápido, sem sequer esperar para ver se os riscos que o BC pretendia endereçar com as Resoluções 519, 520 e 521 seriam de fato endereçados para, a partir daí, ajustar as regras”, afirmou Isabel Sica Longhi, diretora de regulação da Ripple. O aperto se soma às regras do BC para o uso de cripto no Pix, que já pressionavam o segmento.

A saída já começou

O enxugamento previsto pelos executivos já tem casos concretos. A Bitnuvem deixou o mercado neste ano e disse que manter a operação ficou caro demais diante das novas obrigações. Em junho de 2026, a NovaDAX fechou as portas e combinou levar sua base de usuários à Foxbit, mesmo destino que a Digitra.com escolheu ao sair do varejo.

A Mynt, o braço de cripto do BTG Pactual, foi absorvida pelo próprio banco. A Bitso passou a enviar seus investidores de varejo ao Mercado Bitcoin e ficou com a fatia de infraestrutura e de atendimento a grandes clientes. A Coinext desligou o varejo que mantinha havia quase uma década e ficou só com a gestão para investidores institucionais, dizendo ter buscado uma saída para continuar sem achar nenhuma que fechasse a conta.

O que observar

O desenho da regulação beneficia quem já está dentro do sistema financeiro. Bancos com licença do BC e gestoras sob a CVM podem operar com criptoativos sem pedir nova autorização, enquanto as exchanges nativas de menor porte enfrentam a conta mais pesada, já que o capital mínimo pode superar o faturamento anual de boa parte delas. Vale acompanhar se a concentração de clientes e de infraestrutura em poucos participantes vai reduzir a variedade de serviços e o poder de barganha do investidor, ou se abrirá espaço para que instituições financeiras tradicionais assumam a base que hoje está com as criptonativas. O teste imediato é o volume de pedidos protocolados até o fim de outubro, que daria a medida real do enxugamento projetado pelo setor.

Fontes: Valor InvesteLet’s MoneyLet’s MoneyExame

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