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RegulaçãoIA · Agentes de IA

Regulador global cobra controle sobre IA agêntica em banco

O FSB pediu que bancos limitem a IA agêntica e tratem os agentes como ‘funcionários sintéticos’, com aval humano para transações acima de certos valores.

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Foto: Shutterstock

O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), órgão global que reúne reguladores como o Banco Central, pediu que instituições financeiras imponham limites ao uso de IA agêntica e passem a tratar esses agentes como “funcionários sintéticos”. O alerta chega enquanto bancos brasileiros como Banco do Brasil, Itaú e ING aceleram o uso de IA que age com pouca supervisão humana.

Adoção de IA agêntica no setor financeiro

Estágio de adoção % das instituições
Uso ativo (total) 52%
Escalando ou transformando processos 23%
Testando em projetos-piloto 29%

Pesquisa do Cambridge Centre for Alternative Finance citada no relatório do FSB (2026). Fonte: Valor/Reuters

O que o FSB recomenda sobre IA agêntica em bancos

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o FSB incentivou “fortemente” os conselhos de administração a adotarem salvaguardas contra os riscos da IA, em especial da IA agêntica, definida como sistemas capazes de planejar, raciocinar e executar tarefas com supervisão humana limitada. A tecnologia já é usada por bancos em detecção de fraudes, atendimento ao cliente e funções de back-office.

O órgão alertou que a IA autônoma introduz riscos que podem “se materializar em grande velocidade”, incluindo ações não autorizadas ou ilegais, violações de dados e interrupção de sistemas conectados. “Os agentes de IA representam um desafio distinto para a supervisão humana”, afirmou o relatório, observando que esses sistemas podem se desviar das intenções da empresa sem que a equipe perceba ou consiga intervir a tempo.

Entre as práticas recomendadas estão limites claros sobre o que cada agente pode fazer e a exigência de aprovação humana para ações de alto risco, como transações financeiras acima de certos valores. As empresas também podem adaptar controles e processos de recursos humanos para tratar os agentes como “funcionários sintéticos”. As diretrizes não são vinculativas e ficam abertas a comentários até 2 de julho de 2026.

Por que o tema pesa para os bancos brasileiros

O recado do FSB chega no momento em que as instituições brasileiras escalam o uso desses sistemas. O Banco do Brasil treina mais de 36 mil funcionários em IA generativa e agêntica, e o ING já usa IA agêntica para acelerar a análise de crédito imobiliário. No varejo, o Itaú colocou um assistente de IA para consultar saldo e fazer Pix pelo WhatsApp.

A corrida tem um motor econômico claro: estudo do BCG estima que a IA agêntica pode reduzir até 40% dos custos operacionais dos bancos. No Brasil, o Banco Central incluiu o estudo dos riscos e impactos da IA em sua agenda para o biênio, mas indicou que não pretende editar normas específicas antes do fim de 2026. A intensificação dos alertas regulatórios globais acompanha o avanço de modelos de fronteira, depois que a Anthropic lançou o Mythos, visto por especialistas como um desafio relevante à cibersegurança do setor bancário.

O que observar

O ponto a acompanhar é a distância entre a velocidade de adoção e a maturidade da governança. Bancos grandes e instituições de médio porte que já delegam decisões a agentes autônomos vão precisar definir onde fica o limite entre automação e aprovação humana, sobretudo em fluxos que movimentam dinheiro. Quanto mais cedo esses limites entram em contrato e em processo, menor o custo de adequação depois.

Vale observar também como os reguladores traduzem orientações não vinculativas em expectativa de supervisão. No Brasil, a pergunta é se o Banco Central vai ancorar futuras diretrizes nesse arcabouço internacional ou seguir um caminho próprio. Se a régua de “tratar o agente como funcionário” se consolidar, o teste prático será quem consegue auditar o que a IA fez, e desfazer rápido quando ela erra.

Fontes: ValorReutersLet’s MoneyLet’s Money

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