O Grupo Rendimento recebeu aval do Banco Central para comprar a Sociedade de Crédito Direto (SCD) do banco alemão N26 e injetou R$ 300 milhões no capital da licença, que passou de R$ 151 milhões para R$ 451 milhões. Com a aquisição, o grupo de câmbio passa a ter estrutura completa para operar crédito direto, complementando o banco, a DTVM e a instituição de pagamento já em funcionamento.
Grupo Rendimento pós-aquisição
| Entidade |
Tipo de licença |
| Banco Rendimento |
Banco múltiplo |
| Rendimento Câmbio |
DTVM |
| Rendimento Pay |
Instituição de Pagamento |
| SCD (ex-N26) |
Crédito direto, R$ 451 mi capital |
Estrutura após aprovação do BC. Fonte: Valor Econômico
O piloto que não durou e a licença que ficou
O N26 chegou ao Brasil em novembro de 2021 com um piloto seletivo, por lista de espera, e nunca chegou a lançar a conta para o público em geral. Em novembro de 2023, a fintech anunciou o encerramento das operações no país, citando foco nos mercados europeus, e desativou o aplicativo em dezembro daquele ano. O banco acumulou perdas consistentes no Brasil e chegou a demitir 20 funcionários antes do encerramento, após ter operado com mais de 100 colaboradores no país.
A SCD, porém, continuou ativa, numa casca regulatória aguardando a aprovação do BC para a troca de controle. O Banco Central autorizou a transferência para o Rendimento, além de aprovar a mudança de nome da instituição e o aumento de capital. O grupo foi direto ao ponto: “O Rendimento destaca que não assumirá a operação do N26 no País, que já foi encerrada há mais de um ano”, disse a empresa em nota ao Valor.
De câmbio a crédito: a montagem da plataforma
O Grupo Rendimento é mais conhecido pela atuação em câmbio, mas vem construindo uma plataforma de serviços financeiros multivertical. Hoje opera com o Banco Rendimento no segmento bancário, com a Rendimento Câmbio (DTVM) nas operações de câmbio, e com o Rendimento Pay como instituição de pagamento. A SCD ex-N26 entra como quarta perna, voltada a crédito direto com recursos próprios.
O movimento segue uma tendência no setor: grupos com licenças de câmbio e pagamento buscam complementar a pilha regulatória com uma SCD. A Celcoin seguiu lógica similar ao comprar a Via Capital SCD. Comprar uma estrutura já aprovada pelo BC, mesmo que inativa, encurta o caminho regulatório e evita um novo processo de autorização do zero.
O que observar
A questão central não é se o Rendimento tem capital para operar crédito: os R$ 451 milhões indicam que sim. O que está em aberto é a estratégia operacional, porque uma SCD exige carteira ativa, modelos de risco de crédito e área de compliance distintos de câmbio. Grupos que adquirem licenças em casca têm um gap de construção pela frente. Vale acompanhar se a aposta é crédito direto próprio ou BaaS, colocando a licença como infraestrutura para parceiros externos.
O volume do aporte também chama atenção: R$ 300 milhões é um sinal claro de que o plano é operar de verdade, não apenas manter a licença ativa. O prazo para a carteira de crédito gerar receita relevante será o primeiro termômetro da operação, especialmente considerando que o grupo parte de uma SCD sem operações ativas há mais de um ano.
Fontes: Valor Econômico • Finsiders Brasil • Let’s Money • Let’s Money