As taxas na blockchain da Robinhood atingiram um recorde, impulsionadas por uma enxurrada de memecoins em vez dos ativos tradicionais para os quais a rede foi criada. Usuários pagaram cerca de US$ 5,95 milhões em 24 horas para criar e negociar tokens pelo Pons, um launchpad (plataforma de criação de tokens) independente que opera na Robinhood Chain, segundo relatório da CoinDesk.
Robinhood Chain: o dia do recorde
| Métrica |
Valor |
| Taxas via Pons (24 horas) |
US$ 5,95 milhões |
| Recorde de taxas da rede (quarta-feira) |
US$ 4 milhões |
| Volume diário de negociação no Pons |
US$ 544 milhões |
| Novos tokens em 2 de setembro |
Quase 25 mil (+19%) |
Dados do relatório da CoinDesk de 3 de setembro. Fonte: PYMNTS
Uma rede desenhada para ações, tomada por tokens de US$ 1
A blockchain que a Robinhood lançou em julho foi apresentada com foco em ativos tradicionais tokenizados, como ações da Nvidia e da Apple. O Pons opera em outra direção: permite criar um novo token em minutos por uma taxa de lançamento de cerca de US$ 1, com negociação imediata na rede. A cada operação seguinte, o protocolo cobra uma taxa de transação e divide a receita entre a própria plataforma e os criadores dos tokens.
O volume é expressivo. Em 2 de setembro, usuários lançaram quase 25 mil novos tokens no Pons, alta de 19% sobre o dia anterior, enquanto o volume diário de negociação alcançou US$ 544 milhões. Desde o lançamento em julho, a aplicação gerou cerca de 646 mil tokens a partir de mais de 167 mil endereços criadores únicos. O pico de negociação posicionou o Pons, por um breve período, como o quarto maior protocolo do mundo em taxas diárias, à frente da própria rede que o hospeda.
O que a Robinhood ganha (e o que fica com o token)
Para a Robinhood Chain, o efeito foi um recorde: a rede arrecadou US$ 4 milhões em taxas de transação na quarta-feira, cerca de um quinto dos US$ 20 milhões acumulados desde o início da operação. “Recebemos muita atividade de desenvolvedores também”, disse Vlad Tenev, CEO da Robinhood, na teleconferência de resultados do segundo trimestre, ao reconhecer que programadores externos construíam na rede “de formas que não tínhamos imaginado”.
A receita direta da empresa, porém, é limitada. O CFO Shiv Verma esclareceu na mesma teleconferência que a monetização da Robinhood se restringe a uma pequena porcentagem por transação, compartilhada em partes iguais com a desenvolvedora de blockchain Arbitrum. O token nativo PONS, por sua vez, subiu 300% na semana anterior ao relatório: o protocolo usa as taxas de transação para recomprar e queimar seus próprios tokens, reduzindo a oferta em circulação em 29%. No Brasil, a tokenização segue trilho mais institucional, com iniciativas como o piloto do Itaú com 50 instituições.
O que observar
A especulação de varejo costuma ser o primeiro tráfego relevante de uma rede blockchain nova, mesmo quando a infraestrutura foi projetada para casos de uso institucionais. Vale acompanhar se as corretoras que abrem redes públicas conseguem converter esse volume inicial de ativos de curta duração em adoção mais madura, ou se a atividade permanece concentrada em tokens sem utilidade de longo prazo.
A pergunta operacional é quem captura o valor. Quando a monetização da plataforma anfitriã fica presa a uma fração da taxa, dividida com a desenvolvedora de infraestrutura, o grosso da receita pode migrar para os protocolos que rodam por cima. Se esse padrão se confirmar, redes abertas de corretoras podem depender menos do próprio serviço e mais dos desenvolvedores externos que atraem, um arranjo que ainda não se provou sustentável.
Fontes: PYMNTS • CoinDesk • Let’s Money • Let’s Money