A Salmon captou US$ 100 milhões em uma rodada com duas tranches para ampliar crédito digital a filipinos desbancarizados: US$ 60 milhões em capital próprio, liderados pela Spice Expeditions, e US$ 40 milhões em títulos via mercado nórdico, estrutura que reflete a dupla necessidade de capital operacional e funding para empréstimos.
Rodada de US$ 100 mi da Salmon
| Item |
Dado |
| Equity (abril 2026) |
US$ 60 mi, liderado pela Spice Expeditions |
| Dívida (abril 2026) |
US$ 40 mi em bonds nórdicos, yield de 13,7% |
| Total captado (acumulado) |
US$ 310 mi (US$ 160 mi equity + US$ 150 mi bonds) |
| Investidores anteriores |
IFC, ADQ (Abu Dhabi), Lunate, Antler VC |
Estrutura da rodada de abril de 2026. Fontes: TechCrunch e Fintech Global
Fundadores ex-Tinkoff, licença bancária via aquisição
A Salmon foi fundada em março de 2022 por Pavel Fedorov, George Chesakov e Raffy Montemayor, três ex-executivos do banco digital russo Tinkoff. Montemayor foi o primeiro funcionário da Tinkoff nas Filipinas e liderou a expansão da empresa no país desde 2016, o que deu ao trio conhecimento local direto antes de criar a Salmon. Em janeiro de 2024, a startup adotou um atalho regulatório comum em mercados com barreiras de entrada elevadas: adquiriu um banco rural fundado em 1963 para obter licença bancária, caminho similar ao percorrido por fintechs no México que obtiveram licença bancária antes de rivais como estratégia de diferenciação.
A carteira de produtos chegou a sete ou oito itens: linhas de crédito rotativo, empréstimos parcelados, empréstimos pessoais, financiamento de motocicletas e depósitos a prazo. Para mercados sem histórico de crédito consolidado, a Salmon substitui a análise tradicional por dados comportamentais e digitais coletados no momento da solicitação, com resposta em 20 segundos via aplicativo. O produto de crédito oferece prazo de carência de até 62 dias, sem juros para quem paga em dia. A subsidiária Salmon Bank oferece depósitos a prazo com rendimento de até 8% ao ano.
Dívida via mercado nórdico e expansão regional no horizonte
A estrutura de rodada dupla, equity e dívida, é deliberada: empresas de crédito ao consumidor precisam de capital próprio para operações e de dívida para financiar as carteiras de empréstimos. Para o tranche de US$ 40 milhões, a Salmon recorreu ao mercado de bonds nórdico, com precificação a yield efetivo de 13,7% dentro de um programa já existente de US$ 150 milhões.
O modelo tem paralelo com outras fintechs de mercados emergentes que captam dívida em mercados internacionais para financiar carteiras locais. Com a nova rodada, o total captado pela Salmon chega a US$ 310 milhões, sendo US$ 160 milhões em equity e US$ 150 milhões em títulos.
Fedorov afirmou que, se a empresa tiver bom desempenho nas Filipinas, buscará expansão internacional nos próximos dois anos. O país é referência em adoção de telefonia móvel e costuma ser citado como a capital mundial das mídias sociais, com uma população jovem e familiarizada com tecnologia, mas seu sistema financeiro ainda tem dificuldade em acompanhar esse ritmo.
Para Fedorov, a infraestrutura atual do mercado de crédito filipino torna inviável para um banco tradicional resolver o problema de acesso que a Salmon mira. A Salmon compete por espaço em um mercado onde fintechs com foco em desbancarizados têm atingido valuations bilionários em países vizinhos na América Latina, o que sugere potencial de escala relevante na Ásia.
O que observar
O modelo de adquirir bancos rurais legados como atalho regulatório, em vez de requisitar uma nova licença digital, é uma tendência crescente em mercados emergentes com processos regulatórios lentos para novos entrantes. O ponto crítico é se a velocidade de aprovação em 20 segundos, baseada em dados comportamentais, sustenta a qualidade da carteira à medida que a base de clientes sai do perfil de early adopter e alcança populações com comportamento financeiro menos previsível. A inadimplência costuma subir nessa transição.
O uso do mercado nórdico de bonds para funding de crédito ao consumidor em mercados emergentes do Sudeste Asiático é um vetor a acompanhar: o yield de 13,7% revela o custo de capital da dívida, que precisa ser absorvido pela spread de crédito cobrada dos tomadores, limitando o espaço para taxas competitivas. Se o portfólio crescer com inadimplência controlada, a empresa pode refinanciar a dívida a custo menor nas próximas rodadas. Se não, a expansão regional anunciada pode ser adiada para preservar o índice de cobertura.
Fontes: TechCrunch • Fintech Global • TNGlobal