A Samsung lançou seu primeiro cartão de crédito, o Galaxy Card, emitido pelo Barclays na rede Visa e gerido inteiramente pelo Samsung Wallet. O produto oferece cashback de até 5% e chega aos EUA sete anos depois do Apple Card, marcando a entrada da fabricante coreana em serviços financeiros.
Cashback: Galaxy Card x Apple Card
| Categoria de compra |
Galaxy Card |
Apple Card |
| Compras diretas com o fabricante |
5% |
3% |
| Compras pela carteira digital |
3% |
2% |
| Serviços de streaming |
2% |
– |
| Demais compras |
1% |
1% |
Estrutura de cashback dos dois cartões. Fonte: MacRumors
Como funciona o cashback do Galaxy Card
O Galaxy Card não tem anuidade e paga 5% em compras feitas diretamente na Samsung, 3% em pagamentos pelo Samsung Wallet, 2% em serviços de streaming e 1% nas demais transações. Novos clientes ganham US$ 200 em bônus após gastar US$ 2.000 nos primeiros 90 dias. O cartão existe em versão virtual e em uma versão física de metal, com o logo da Samsung em preto.
As solicitações abrem em 22 de julho de 2026, apenas nos Estados Unidos, com aplicação online e nas lojas físicas da marca. A Samsung afirma que 70% das residências americanas têm um dispositivo da empresa e que quase 30% possuem três ou mais produtos, base que sustenta a aposta no programa de recompensas. “Durante anos, os usuários contaram com os produtos Samsung para melhorar o dia a dia, de manter contato com amigos ao relaxamento e à produtividade. Hoje, o Samsung Galaxy Card oferece uma nova forma de ser recompensado cada vez que você paga”, disse Woncheol Chai, vice-presidente e head do time de carteira digital da divisão Mobile eXperience da Samsung, em tradução livre.
A sombra do Apple Card
A entrada da Samsung acontece sete anos depois de a Apple lançar seu próprio cartão, que hoje acumula cerca de US$ 20 bilhões em saldos. Esse volume é justamente o que a carteira do Apple Card passou do Goldman Sachs para o JPMorgan Chase, após o banco original registrar prejuízos com o programa. O histórico mostra que emitir cartão de marca de tecnologia é atraente em escala, mas difícil de monetizar para o banco parceiro.
O movimento também sinaliza como fabricantes de dispositivos avançam sobre serviços financeiros a partir da carteira digital. No Brasil, o Samsung Wallet já roda Pix por aproximação desde 2023, e o veículo Mobile Time noticiou que a empresa estuda incluir uma stablecoin na carteira. O Galaxy Card, por enquanto, é um produto americano, sem previsão de chegada ao país.
O que observar
A pergunta central não é se um fabricante de smartphones consegue lançar um cartão, e sim se o banco emissor consegue transformar saldo em margem. O precedente recente mostra que programas de cartão de marca de tecnologia crescem rápido em base de clientes, porém pressionam o resultado do parceiro financeiro com custo de aquisição e recompensas generosas. Vale acompanhar se a estrutura de cashback em camadas, mais agressiva na compra direta do aparelho, se paga pela fidelização ao ecossistema ou apenas eleva o custo de servir.
Para o mercado brasileiro, o ponto a observar é outro. As carteiras digitais de fabricantes já se conectam a Pix e Open Finance, o que dá a essas plataformas dados de consumo e um canal direto com o usuário. Se o próximo passo dessas empresas for empilhar crédito e ativos digitais sobre a carteira, a disputa deixa de ser só por meio de pagamento e passa a ser por relacionamento financeiro, um território até aqui dominado por bancos e adquirentes.
Fontes: Finextra • Barclays • MacRumors • Mobile Time