A Santander Asset Management reunia cerca de R$ 410 bilhões sob gestão ao fim de fevereiro, com a carteira de crédito privado crescendo 44% em dois anos, para R$ 89 bilhões. A gestora ocupa a sétima posição no ranking da Anbima, com 3,9% de participação entre os grandes bancos.
Santander Asset: indicadores-chave
| Indicador |
Valor |
Contexto |
| AUM total |
~R$ 410 bi |
7ª posição Anbima, 3,9% de fatia |
| Crédito privado |
R$ 89 bi |
+44% em 2 anos |
| Dívida privada (fundos) |
R$ 229 bi |
+39% |
| Fundo de dividendos |
>R$ 1 bi |
Era R$ 137 mi no fim de 2023 |
Dados da gestora até fevereiro de 2026. Fonte: Valor Econômico
Crédito privado e novas classes de ativos
Em quase dois anos como CEO, Rudolf Gschliffner reforçou equipes e adicionou estratégias descorrelacionadas dentro da gestora. A reformulação alcançou renda fixa, macro, alocação sistemática e renda variável, com a contratação de Roberto Chagas para comandar a área de ações, executivo com 25 anos de experiência e passagens por EQI, Trafalgar, UBS e Petros.
Progressivamente, a asset adicionou portfólios de infraestrutura, com exposição ao IPCA, versões com troca de indexador para o CDI e renda fixa ativa. O movimento acompanha o avanço do crédito privado em diferentes segmentos no Brasil. “Mesmo crescendo muito no crédito, a gente também investiu nas classes de valor agregado, em momentos não óbvios do ponto de vista de captação e de performance dessas classes”, disse Gschliffner ao Valor.
Integração global e hub de ações na América Latina
A gestora também passou a integrar o processo de investimento com as equipes globais do grupo, que reúne € 256 bilhões sob gestão. Na área de multimercados, a operação brasileira participa de fóruns táticos que discutem oportunidades de risco no exterior e no Brasil. Na pesquisa de ações, o Brasil foi escolhido para liderar o hub de América Latina, reunindo a cobertura de companhias em nove países que antes era fragmentada.
A expansão veio acompanhada dos escritórios AAA, com especialistas de investimentos e prateleira aberta a fundos de terceiros. A Santander Asset faz a seleção dos portfólios e a diligência operacional. “Cada vez menos vejo a asset como uma provedora de produto e cada vez mais como uma provedora de inteligência de investimento para o banco”, disse o executivo. Gschliffner está no Santander desde 2006 e assumiu como CEO em maio de 2024, no lugar de Rafael Kappaz, que foi para a tesouraria. O banco, que recentemente iniciou a construção de uma nova sede em São Paulo, mantém a aposta na expansão da gestão de recursos.
O que observar
Gestoras de grandes bancos surfaram os últimos dois anos de Selic em dois dígitos com crédito e renda fixa, classes naturalmente favorecidas pelo ciclo. A questão é se o crescimento de estratégias diversificadas, como ações, infraestrutura e sistemáticos, terá tração quando os juros começarem a cair. Se essas classes provarem capacidade de captar fluxo em cenário de queda, gestoras bancárias podem reter a base construída no crédito e ao mesmo tempo expandir participação em categorias de maior valor agregado, um teste que define quem realmente construiu resiliência estrutural e quem apenas capturou um ciclo.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money