A busca dos brasileiros por recursos financeiros registrou crescimento de 15,2% no acumulado dos últimos 12 meses até abril, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian. Na análise por faixa de renda, os consumidores que recebem de 1 a 2 salários-mínimos apresentaram a maior alta no período, com variação de 28,0%.
Demanda por faixa de renda
Na sequência, aparecem aqueles com renda de até 1 salário mínimo (18,8%), de 5 a 10 salários mínimos (17,8%) e acima de 10 salários-mínimos (17,0%).
Demanda por crédito em 12 meses, por faixa de renda
| Faixa de renda |
Variação 12 meses |
| 1 a 2 salários-mínimos |
28,0% |
| Até 1 salário mínimo |
18,8% |
| 5 a 10 salários mínimos |
17,8% |
| Acima de 10 salários-mínimos |
17,0% |
| Total |
15,2% |
Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito, acumulado dos últimos 12 meses até abril de 2026. Fonte: Serasa Experian.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o comportamento da demanda segue refletindo um ambiente de crédito pressionado. “As famílias ainda enfrentam pressão sobre o orçamento e maior comprometimento da renda. O comportamento mais forte entre consumidores de menor renda indica uma busca por crédito associada não apenas ao consumo, mas também à necessidade de administrar despesas correntes e reorganizar o fluxo financeiro. Ao mesmo tempo, observa-se uma perda de fôlego mais intensa nas faixas intermediárias de renda, que geralmente demandam modalidades de crédito de prazo mais longo, […] mais restritas e sujeitas a critérios mais rigorosos por parte das instituições financeiras”, disse.
Geografia da procura por crédito
Na análise por Unidades Federativas (UFs), a procura por crédito apresentou crescimento em todo o país ao longo dos últimos 12 meses, ainda que em ritmos distintos entre os estados. Os maiores avanços foram registrados em Roraima (22,7%), Tocantins (22,2%) e Alagoas (20,9%). Na sequência, aparecem Acre (20,1%) e Paraíba (19,6%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (10%), Santa Catarina (11%) e Ceará (11,5%). O movimento aparece num momento em que o custo das dívidas dos brasileiros vem subindo.
Variação anual também avança
Na comparação anual, a demanda por crédito cresceu 8,4% em abril de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior. Entre as faixas de renda, os consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos registraram o maior crescimento no período, com alta de 40,3%, seguidos pelos consumidores com renda de até 1 salário mínimo (5,1%). Já a faixa acima de 10 salários mínimos apresentou retração de 12,8%. O cenário convive ainda com o Desenrola retirando 4 milhões de pessoas de listas de inadimplência em junho.
“Mesmo em um ambiente de juros elevados e desaceleração econômica, a demanda por crédito segue resiliente, especialmente entre consumidores de menor renda. Esse comportamento reflete um contexto de orçamento mais pressionado, em que muitas famílias recorrem ao crédito para recompor liquidez, administrar despesas correntes e compensar a perda de poder de compra em um cenário de maior comprometimento da renda”, afirmou Abdelmalack.
O que observar
O indicador interessa especialmente para emissores de crédito que segmentam carteira por faixa de renda. A diferença de ritmo entre baixa renda em alta de dois dígitos e a faixa alta com retração de 12,8% na comparação anual sugere movimento de mix relevante para quem ajusta política e oferta por perfil. Quem opera nas faixas intermediárias precisa observar como o aperto em prazos mais longos vai pesar sobre volume nos próximos trimestres.
Fontes: Serasa Experian • Let’s Money (Febraban) • Let’s Money (Desenrola)