Ir para o conteúdo

InadimplênciaCrédito · Crédito

Empresas inadimplentes chegam a 9,2 milhões em julho

Serasa Experian aponta 9,2 milhões de CNPJs negativados em julho de 2026, com R$ 238,6 bilhões em dívidas e 8,7 milhões de micro e pequenas empresas.

por

· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

As empresas negativadas chegaram a 9,2 milhões em julho de 2026, novo pico do levantamento mensal da Serasa Experian. O estoque em atraso desse grupo chegou a R$ 238,6 bilhões, contra R$ 232,9 bilhões e 9,1 milhões de empresas em junho de 2026.

Inadimplência das empresas em julho de 2026

Indicador Total Micro e pequenas
CNPJs negativados 9,2 milhões 8,7 milhões
Dívidas inadimplidas 67,2 milhões 60,5 milhões
Volume das dívidas R$ 238,6 bilhões R$ 206 bilhões
Contas negativadas por CNPJ 7,3 (média) 6,9 (média)
Dívida média por CNPJ R$ 25.983,88 R$ 23.574,33
Ticket médio da dívida R$ 3.551,59 R$ 3.403,77

Indicador de Inadimplência das Empresas, julho de 2026. Fonte: Serasa Experian

Entra na conta a empresa com pelo menos uma obrigação vencida cuja falta de pagamento o credor comunicou formalmente, e o corte considera as notificações feitas até o fim do mês de referência. Para a Serasa Experian, o patamar segue alto num momento em que o ambiente financeiro continua apertado. “Apesar dos cortes recentes da Selic, ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras. O mercado continua precificando juros elevados por um período prolongado, e é essa expectativa que influencia diretamente o custo de financiamento e a capacidade das empresas de rolar suas dívidas”, afirmou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.

Micro e pequenas concentram 8,7 milhões dos CNPJs

O recorte por porte mostra onde a conta se acumula. Micro e pequenas empresas respondem por 8,7 milhões dos negativados de julho, ante 8,6 milhões um mês antes. É a maior parte da base, com ticket médio abaixo da média geral e volume de dívida de R$ 206 bilhões.

“As micro e pequenas empresas enfrentam uma combinação particularmente desafiadora: inadimplência elevada e crédito cada vez mais restrito. Mesmo em períodos de normalidade, empresas desse porte já encontram mais barreiras para acessar financiamento”, afirmou a economista-chefe. A leitura convive com uma procura que não cedeu: a busca das empresas por crédito subiu 9,2% nos 12 meses até junho de 2026, puxada por capital de giro e não por investimento.

Três quartos das dívidas nascem fora de bancos e financeiras

Serviços responde por 55,8% das companhias negativadas, à frente do Comércio, com 32,1%. A Indústria fica com 8,0% e o segmento Primário, com 1,0%. Quando o corte muda para quem é o credor, o desenho é outro: instituições financeiras somam 24,3% das pendências, e todo o restante, 75,7%, nasce fora dessas instituições.

Origem das dívidas inadimplidas em julho de 2026

Origem da dívida Participação
Serviços 31,7%
Bancos/Cartões 19,7%
Cooperativas 8,5%
Utilities 6,9%
Telefonia 6,2%

Indicador de Inadimplência das Empresas, julho de 2026. Fonte: Serasa Experian

“O fato de mais de três quartos das dívidas inadimplidas estarem fora das instituições financeiras mostra que a dificuldade financeira das empresas não está restrita ao crédito bancário. Ela também alcança compromissos relacionados à própria operação, como por exemplo: pagamento de contas básicas e fornecedores”, afirmou Camila Abdelmalack. O Sudeste puxa o volume: são 3.147.102 companhias negativadas em São Paulo, 915.410 em Minas Gerais e 870.189 no Rio de Janeiro.

O que observar

O corte por origem da dívida é o dado mais operacional do levantamento. Se três em cada quatro pendências nascem fora de bancos e financeiras, o passivo em atraso está concentrado em fornecedores, concessionárias de energia e água, telefonia e cooperativas, credores que raramente têm estrutura para reescalonar prazo como um banco faria. Vale acompanhar se esse grupo passa a encurtar prazo de faturamento e a exigir garantia em contratos de operação, movimento que aperta o capital de giro justamente de quem já está negativado.

Do lado do crédito, o ponto a observar é o descolamento entre demanda e concessão. A procura por capital de giro segue firme enquanto a base negativada avança mês a mês, e o aperto tende a aparecer primeiro no custo e na exigência de garantia para empresas de menor porte, não no volume total contratado. Os próximos indicadores mensais e as estatísticas de crédito do BC ajudam a testar a hipótese de que o ciclo de corte dos juros básicos ainda não chegou à ponta.

Fontes: Serasa ExperianSerasa Experian, junho de 2026Let’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.