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Shopee replica Mercado Pago e chega a R$ 5,8 bi em crédito

BTG Pactual mapeia R$ 5,82 bi em crédito acumulados pela Shopee via FIDCs no Brasil em 12 meses, equivalente a 75% da carteira do Mercado Livre.

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· 3 min

Atualizado em

Foto:Teacher Photo / Shutterstock.com

Um levantamento do BTG Pactual sobre FIDCs registrados na CVM mostra que a Shopee acumulou R$ 5,82 bilhões em crédito no Brasil em pouco mais de 12 meses, equivalente a cerca de 75% da carteira comparável do Mercado Livre, replicando o mesmo roteiro que transformou o Mercado Pago em uma das fintechs mais rentáveis do país.

Shopee vs Mercado Livre: FIDCs de crédito

Indicador Shopee (MONEE) Mercado Livre
Carteira FIDC R$ 5,82 bilhões R$ 7,7 bilhões (est.)
Proporção 75% da ML Referência
Inadimplência >90 dias N/D (carteira jovem) 11,6% (abr/2026)
Inadimplência 1-90 dias N/D (carteira jovem) 9,7% (abr/2026)

Comparativo de carteiras FIDC da Shopee e Mercado Livre. Fonte: InvestNews

O FIDC que revela a estratégia financeira da Shopee

O veículo central da expansão é o MONEE FIDC I, que existe desde 2022 mas ganhou escala a partir de 2025: saltou de R$ 1,47 bilhão em janeiro do ano passado para R$ 5,82 bilhões atualmente. No segundo semestre de 2025, a Shopee criou uma segunda estrutura, o MONEE FIDC II, sinalizando a busca por maior flexibilidade de captação. O nome MONEE revela a arquitetura por trás dos fundos: a Monee Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é a financeira controlada pela Shopee, autorizada pelo Banco Central em fevereiro de 2026, que dá à plataforma a licença regulatória para operar crédito e emitir cartões diretamente.

“O ritmo de expansão sugere que a Shopee vem usando cada vez mais o crédito como parte de sua estratégia mais ampla de ecossistema no Brasil, indo além da competição no marketplace e avançando para fintech, funding e monetização de usuários”, afirmou o BTG Pactual em relatório. A estrutura de FIDC para expandir crédito em plataformas de e-commerce não é nova: fintechs B2B como CashU também usaram o instrumento para captar R$ 120 mi e acelerar operações de crédito.

O precedente do Mercado Pago

O Mercado Pago nasceu em 2004 como ferramenta de pagamento do marketplace e só passou a oferecer crédito em 2017. Hoje responde por mais de um terço da receita do grupo no Brasil. O Mercado Pago, que no Brasil já superou o Nubank em satisfação de clientes, construiu essa posição ao longo de quase uma década. A Shopee está tentando percorrer um caminho semelhante, mas em velocidade diferente.

Um sinal de alerta está na maturação da carteira. Segundo o NeoFeed, a inadimplência acima de 90 dias nos FIDCs da Shopee saiu de 1,4% em janeiro de 2025 para 3,0% em abril de 2026. A carteira ainda é jovem e contratos recentes ainda não migraram para faixas longas de atraso, o que faz os índices parecerem menores do que podem ser no futuro, exatamente o ponto levantado pelos analistas do BTG como risco central da operação.

O que observar

A velocidade de crescimento da carteira é o principal dado a acompanhar nos próximos trimestres. Em operações de crédito ao consumidor que crescem na velocidade que essa carteira cresce, a inadimplência costuma se revelar com atraso de 6 a 18 meses. A pergunta não é se os índices vão subir, mas até onde, e se o nível de provisões será adequado para absorver o impacto sem comprometer a rentabilidade da operação.

Para plataformas de e-commerce com braço financeiro, a alavancagem via FIDC é eficiente enquanto o crescimento é acelerado. O risco é o custo de funding subir no momento em que a qualidade da carteira se revelar mais desafiadora. Vale acompanhar se a estrutura dual de fundos da plataforma oferece flexibilidade real de captação ou se os dois veículos acabam sendo pressionados simultaneamente caso a inadimplência acelere.

Fontes: InvestNewsNeoFeedFinsiders BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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