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SoftBank bate recorde com OpenAI e recebe alerta da S&P

Vision Fund registra ganho de US$ 46 bi, quase todo puxado pela OpenAI. Mas a S&P revisa perspectiva de crédito do grupo japonês para negativa.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

O Vision Fund do SoftBank registrou ganho anual de US$ 46 bilhões, praticamente todo gerado pela OpenAI, enquanto a S&P revisa a perspectiva de crédito do grupo japonês para negativa em razão da concentração e da estrutura de financiamento da aposta.

SoftBank: resultados do ano fiscal encerrado em março de 2025

Métrica Valor
Lucro líquido (ano anterior) ¥1,15T (US$ 7,29 bi)
Lucro líquido (ano fiscal 2024/25) ¥5T (US$ 31,7 bi)
Ganho Vision Fund (anual) US$ 46 bi
Ganho gerado pela OpenAI (anual) US$ 45 bi
Ganho Vision Fund (Q4 fiscal) ~US$ 20 bi (quase todo da OpenAI)

Resultados do ano fiscal encerrado em março de 2025. Fonte: NeoFeed

Como a OpenAI reescreveu o balanço do SoftBank

O SoftBank já investiu mais de US$ 30 bilhões na OpenAI e assumiu compromisso de US$ 60 bilhões no total, o que lhe daria cerca de 13% de participação. O resultado reverte anos em que o Vision Fund foi associado a perdas bilionárias e apostas malsucedidas, como a WeWork. No quarto trimestre fiscal, a concentração ficou ainda mais evidente: o fundo teve ganho de cerca de US$ 20 bilhões em três meses até março, compensando perdas em Coupang, DiDi Global e Klarna. Em janeiro, a OpenAI mirava captação de US$ 100 bilhões com gigantes de tecnologia, sinalizando que a rodada liderada pelo SoftBank em março seguiu uma escalada já em curso.

O CFO Yoshimitsu Goto destacou na teleconferência de resultados que o grupo mantém posição de caixa de ¥ 3,5 trilhões (US$ 22,2 bilhões), suficiente para cobrir mais de dois anos de vencimentos de bonds. Em março, o grupo contratou linha de empréstimo ponte de US$ 40 bilhões; em abril, US$ 20 bilhões haviam sido sacados para financiar o investimento na OpenAI, e US$ 2,5 bilhões já tinham sido pagos. Para financiar a aposta, o grupo vendeu participações em T-Mobile e Nvidia, além de recorrer a dívida e empréstimos. No ano fiscal, o resultado de investimentos excluindo o Vision Fund foi negativo em ¥ 472,1 bilhões (US$ 2,99 bilhões), após efeitos de câmbio e despesas.

S&P e mercado questionam concentração da aposta

Em março, a S&P Global Ratings revisou a perspectiva de crédito do SoftBank de “estável” para “negativa”. Segundo a CNBC, a agência afirmou que a liquidez dos ativos, a qualidade do portfólio e a capacidade financeira do grupo poderiam se deteriorar por causa do novo investimento bilionário na OpenAI. Boa parte do ganho registrado ainda é contábil: deriva da marcação a valor justo de uma empresa privada, sem liquidez imediata.

O CFO levantou a possibilidade de usar a participação na Arm, uma das principais joias do portfólio, como garantia via margin loan, e até ativos ligados à OpenAI como colateral. Em paralelo, bancos passaram a diversificar fornecedores de IA para reduzir dependência da OpenAI, o que ilustra como a concentração em torno da companhia é percebida como risco operacional e financeiro pelo mercado.

A estratégia vai além da posição na OpenAI. O grupo tem a Arm como ativo estratégico, registrou ganho de ¥ 278,6 bilhões (US$ 1,77 bilhão) com a Intel e fechou a compra da unidade de robótica da suíça ABB por US$ 5,4 bilhões, sinalizando que Masayoshi Son quer construir uma plataforma que conecta IA, semicondutores e robótica. Questionado sobre rivais, o CFO disse ser positivo para a indústria ver concorrentes refinando modelos e atraindo novos usuários.

O que observar

Boa parte dos ganhos registrados ainda é contábil, derivada da valoração de um ativo privado sem liquidez imediata. A questão central é quando e como esse valor vira caixa: via abertura de capital, venda parcial de participação ou outro mecanismo. Sem esse evento, a narrativa de lucro recorde depende de uma nova rodada de valoração sustentada por um mercado altamente competitivo e ainda sem modelo de receita consolidado no segmento de modelos de linguagem.

A estrutura de financiamento combina venda de ativos estratégicos, dívida e instrumentos lastreados em participações do portfólio. A questão operacional é o custo de capital nessa configuração, especialmente se a janela de abertura de capital no setor de inteligência artificial se estreitar ou se as condições de refinanciamento se deteriorarem. O movimento das agências de rating é o sinal mais claro de que o mercado já precifica esse risco.

Fontes: NeoFeedLet’s MoneyLet’s Money

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