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SpaceX mira US$ 2 tri em IPO e revela prejuízo bilionário

SpaceX abriu IPO mirando US$ 1,75 trilhão; formulário na SEC revelou prejuízo de US$ 4,28 bi no 1º tri de 2026, oito vezes maior que em 2025.

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· 3 min

Atualizado em

Reprodução: Space X

A SpaceX abriu formalmente seu processo de IPO mirando avaliação de US$ 1,75 trilhão, mas o formulário de registro entregue à SEC revelou prejuízo de US$ 4,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026, oito vezes maior que no mesmo período de 2025, forçando investidores a precificar promessas futuras, não resultados correntes.

SpaceX: resultados por divisão, Q1 2026

Divisão Receita Q1 2026 Prejuízo Q1 2026
Starlink US$ 3,26 bi (+33% a.a.) positivo
Espacial queda de 28,4% a.a. US$ 662 mi
IA n/d US$ 2,47 bi

Resultados do primeiro trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico

Starlink financia tudo, Starship consome

A Starlink é o único segmento com receita em crescimento no portfólio. Com US$ 3,26 bilhões no primeiro trimestre, ela financia o desenvolvimento da Starship, o foguete de próxima geração sem o qual a SpaceX não consegue colocar em órbita seus novos satélites de internet. O próprio formulário de registro é explícito: os foguetes operacionais Falcon 9 e Falcon Heavy não têm capacidade para lançar o modelo de satélite de próxima geração. O progresso de uma divisão depende do avanço da outra.

A divisão espacial foi a mais impactada no curto prazo: receita caiu 28,4% no trimestre e o prejuízo saltou de US$ 70 milhões para US$ 662 milhões, resultado dos investimentos pesados na Starship. A divisão de IA concentrou o maior sangramento: US$ 2,47 bilhões de prejuízo no trimestre, com investimentos triplicando para US$ 7,72 bilhões. No mesmo período, a xAI captou US$ 20 bilhões para acelerar data centers próprios, criando uma corrida paralela de infraestrutura de IA sob a mesma liderança.

A precificação fora do manual

“Você não vai justificar uma avaliação de US$ 1,75 trilhão ou US$ 2 trilhões para a SpaceX usando apenas métricas fundamentais tradicionais”, disse Greg Martin, cofundador da Rainmaker Securities. “Muitos investidores acreditam que a SpaceX pode se tornar uma empresa de US$ 5 trilhões a US$ 10 trilhões ao longo do tempo.” A SpaceX acumula déficit histórico de US$ 41,31 bilhões em mais de duas décadas de operação, refletindo décadas de construção de foguetes reutilizáveis, a rede Starlink e data centers de IA em escala de gigawatts. A Reuters ouviu 18 analistas e gestores, a maioria otimista, argumentando que o negócio de satélites e espaço, isoladamente, já sustenta uma avaliação próxima de US$ 2 trilhões.

“O risco não é se a SpaceX é um negócio real; claramente é”, disse Josh Gilbert, analista da eToro. “O risco é se uma avaliação de US$ 1,75 trilhão precifica adequadamente os desafios de execução que acompanham a situação de ser parte empresa de foguetes, parte provedora de internet, parte empreendimento de IA e, em grande parte, impulsionada pela visão de um único indivíduo.” A xAI, empresa de IA do mesmo fundador, perdeu 9 de seus 11 cofundadores originais desde a fundação, alimentando o debate sobre risco de concentração decisória em empreendimentos liderados por um único tomador de decisão.

O que observar

O IPO coloca em teste a premissa de que um projeto de longo prazo pode ser precificado como se as etapas intermediárias já estivessem concluídas. O modelo de negócio descrito no formulário de registro é explicitamente sequencial: cada divisão depende das anteriores para gerar o caixa que financia a próxima fase de expansão. Vale acompanhar se os resultados da divisão de internet por satélite no segundo e no terceiro trimestres de 2026 conseguem compensar o ritmo crescente de investimento na divisão de IA, que já concentrou mais prejuízo em um único trimestre do que as outras duas divisões juntas.

O segundo ponto é o intervalo entre a captação e as primeiras entregas verificáveis pelo mercado público. Empresas de infraestrutura que chegam à bolsa com avaliações ancoradas em projeções tendem a registrar alta volatilidade nos primeiros trimestres após a listagem, especialmente quando o roadmap depende de uma tecnologia ainda em fase de testes comerciais. A pergunta que persiste é se o caixa captado no IPO será suficiente para sustentar o ciclo de investimento até que o próximo foguete prove sua viabilidade operacional em escala.

Fontes: Valor EconômicoSECLet’s Money

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