A Stone registrou lucro líquido ajustado de R$ 549,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta anual de 3,5% e queda trimestral de 22,3%, com inadimplência subindo de 5,21% para 6,98% e provisões avançando 51,6% no período, segundo resultados divulgados pela companhia e reportados pelo Valor Econômico.
Stone: 1T26, principais métricas
Linha
1T26
t/t
a/a
Lucro líquido ajustado
R$ 549,1 mi
-22,3%
+3,5%
Receita
R$ 3,578 bi
-4,0%
+6,5%
TPV total
R$ 137,2 bi
-9,0%
+2,7%
TPV Pix
R$ 27,4 bi
+0,6%
+37,3%
Carteira de crédito
R$ 3,224 bi
+13,7%
+122,5%
Inadimplência
6,98%
+1,77 p.p.
+2,41 p.p.
Provisões
R$ 166,3 mi
+51,6%
+389,2%
Custo do risco
21,9%
+4,8 p.p.
+11,7 p.p.
Resultados do 1T26 divulgados pela companhia. Fonte: Valor Econômico
TPV cresce 2,7% no ano com Pix acelerando
A receita totalizou R$ 3,578 bilhões, recuo de 4,0% ante o quarto trimestre de 2025 e avanço de 6,5% em relação ao 1T25. O volume total de pagamentos (TPV) atingiu R$ 137,2 bilhões, com queda de 9,0% no trimestre e alta de 2,7% no ano. No segmento de cartões, o TPV caiu 11,1% no trimestre e 3,3% no ano, para R$ 109,8 bilhões.
O Pix compensou parte da retração: o volume chegou a R$ 27,4 bilhões, avanço de 0,6% no trimestre e de 37,3% no ano. Em teleconferência com analistas, o CEO Mateus Scherer afirmou que a companhia está focada em “reacelerar o crescimento rentável do TPV” e que a pressão de cancelamentos ficou concentrada em clientes adquiridos ao longo de 2025, período em que a empresa ampliou sua oferta de produtos. Scherer disse que “o crescimento do TPV está melhorando em abril.
Estamos acompanhando de perto os indicadores antecedentes de volume, e eles sugerem que as medidas que estamos tomando estão nos levando na direção certa”. Em 2025, a Stone havia distribuído R$ 3 bilhões a acionistas, reflexo de um ciclo anterior de resultados mais consistentes.
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Inadimplência sobe a 6,98% e provisões avançam 389% no ano
A carteira de crédito atingiu R$ 3,224 bilhões, alta de 13,7% no trimestre e de 122,5% em um ano. Desse total, R$ 2,861 bilhões correspondem a crédito aos lojistas e R$ 364 milhões a cartões de crédito. Com o crescimento acelerado da carteira, a inadimplência avançou de 4,57% no 1T25 para 5,21% no 4T25 e chegou a 6,98% no 1T26. As provisões saltaram 51,6% no trimestre e 389,2% no ano, para R$ 166,3 milhões.
O índice de cobertura recuou de 263,6% para 229%, e o custo do risco passou de 17,1% no 4T25 para 21,9%. A inadimplência já havia atingido recorde histórico em janeiro, sinalizando pressão sistêmica que se refletiu nos balanços do primeiro trimestre. O CFO Diego Salgado atribuiu parte da piora a um movimento de setor: “É uma tendência que parece ter afetado toda a indústria bancária, mas que é mais pronunciada no nosso portfólio, dada a concentração que temos nesse segmento.”
Sobre o horizonte, Salgado afirmou que a Stone manteve abordagem conservadora de provisionamento e que “olhando à frente, esperamos que a combinação de políticas de concessão mais restritivas na mesa dedicada e a implementação de novos modelos na mesa automatizada reduza o custo de risco para níveis mais baixos de forma lenta, mas constante”.
O que observar
A inadimplência em carteiras de crédito para micro, pequenas e médias empresas tem correlação direta com o ciclo de juros: com a Selic em nível elevado, o custo do crédito para o tomador sobe e a capacidade de pagamento cai. A queda do índice de cobertura de 263,6% para 229% indica que, mesmo com provisões crescendo 51,6% no trimestre, a carteira deteriorou mais rápido do que o provisionamento avançou. Quando o custo do risco chega a 21,9% ao trimestre, o produto de crédito passa a consumir resultado em vez de ampliar margem por cliente.
A aceleração do Pix, com crescimento de 37,3% no ano, é o dado estruturalmente mais relevante do trimestre. O TPV em cartões caiu 3,3% no ano, enquanto o Pix cresce a ritmo quase dez vezes maior. No consolidado do 3T25, as grandes fintechs de pagamentos acumulavam mais de R$ 7 bilhões de lucro, mas com composições de carteira e estratégias de crédito distintas que tornam a comparação entre os players cada vez menos direta. A sinalização de aceleração do TPV no segundo semestre, se confirmada, alivia a pressão na linha de receita, mas não elimina o risco da carteira de crédito enquanto as safras de 2025 amadurecem.