O setor supermercadista brasileiro entra em nova fase ao descobrir que pode ampliar rentabilidade além das gôndolas. Grandes e médias redes agora criam fintechs próprias ou operam em parceria com plataformas de Banking as a Service para monetizar fluxo financeiro. A mudança ocorre em momento estratégico: o segmento faturou R$ 1,067 trilhão em 2024, equivalente a 9,12% do PIB, segundo o Ranking ABRAS 2025.
Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa com mais de 20 anos no desenvolvimento de aplicativos corporativos, explica que a transformação vai além de lançar um app. “A rede supermercadista sempre operou como concentradora de fluxo financeiro. O que mudou foi a possibilidade de capturar valor com estrutura regulada e tecnologia própria”, afirma.
Antecipação e crédito como alavancas
A antecipação de recebíveis para fornecedores se tornou uma das principais fontes de receita financeira. Ao oferecer liquidez antecipada mediante desconto, as redes melhoram relacionamento comercial e ampliam poder de barganha. “Margem não nasce na venda, nasce na compra. Se a rede consegue melhorar condições financeiras na cadeia, ela aumenta rentabilidade sem pressionar preço ao consumidor”, destaca Franco.
No lado do cliente, crediário próprio, carteiras digitais e programas de cashback elevam ticket médio e recorrência. A novidade é que redes regionais também conseguem estruturar essa operação. “Hoje é possível começar de forma modular, com um produto financeiro específico, e evoluir conforme a maturidade da operação”, completa o executivo.








