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VarejoEmbedded Finance · ABRAS

Supermercados criam fintechs para elevar margem

Setor faturou R$ 1,067 trilhão em 2024 e passa a monetizar crédito, antecipação e programas de fidelidade com tecnologia própria

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· 2 min

Atualizado em

Foto de Franki Chamaki na Unsplash

O setor supermercadista brasileiro entra em nova fase ao descobrir que pode ampliar rentabilidade além das gôndolas. Grandes e médias redes agora criam fintechs próprias ou operam em parceria com plataformas de Banking as a Service para monetizar fluxo financeiro. A mudança ocorre em momento estratégico: o segmento faturou R$ 1,067 trilhão em 2024, equivalente a 9,12% do PIB, segundo o Ranking ABRAS 2025.

Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa com mais de 20 anos no desenvolvimento de aplicativos corporativos, explica que a transformação vai além de lançar um app. “A rede supermercadista sempre operou como concentradora de fluxo financeiro. O que mudou foi a possibilidade de capturar valor com estrutura regulada e tecnologia própria”, afirma.

Antecipação e crédito como alavancas

A antecipação de recebíveis para fornecedores se tornou uma das principais fontes de receita financeira. Ao oferecer liquidez antecipada mediante desconto, as redes melhoram relacionamento comercial e ampliam poder de barganha. “Margem não nasce na venda, nasce na compra. Se a rede consegue melhorar condições financeiras na cadeia, ela aumenta rentabilidade sem pressionar preço ao consumidor”, destaca Franco.

No lado do cliente, crediário próprio, carteiras digitais e programas de cashback elevam ticket médio e recorrência. A novidade é que redes regionais também conseguem estruturar essa operação. “Hoje é possível começar de forma modular, com um produto financeiro específico, e evoluir conforme a maturidade da operação”, completa o executivo.

Cinco cuidados para estruturar o modelo

Franco apresenta medidas essenciais para quem pretende criar fintech no varejo. Primeiro, definir um caso de uso prioritário, como antecipação para fornecedores ou crédito no checkout. Segundo, escolher parceiro com estrutura regulatória sólida, aderente às normas do Banco Central e, quando aplicável, da Comissão de Valores Mobiliários.

Além disso, a tecnologia precisa estar integrada ao ERP, meios de pagamento e programas de fidelidade. Outro ponto crítico é estruturar política rigorosa de crédito e risco. “Crédito mal modelado pode comprometer margem em vez de fortalecê-la”, alerta. Por fim, cada produto financeiro deve ter indicadores definidos de retorno.

Segundo informações divulgadas pela Tribuna do Agreste, o avanço do Pix como meio de pagamento mais utilizado no país e a ampliação do open finance criaram ambiente favorável para essa transformação. O setor supermercadista reúne mais de 424 mil lojas e atende cerca de 30 milhões de consumidores por dia. Para mais informações sobre embedded finance e transformação digital no varejo, confira as matérias sobre fintechs e inovação no Let’s Money.

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