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TCU detalha manobras do Master para ocultar crise de liquidez

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) detalha pela primeira vez como o Banco Master usou fundos de investimento e reestruturações de carteiras para ocultar perdas e fazer suas finanças parecerem sólidas enquanto os ativos geravam menos caixa do que o necessário para honrar dívidas. O sistema bancário terá de reunir R$ 52 bilhões para reembolsar investidores que compraram títulos do Master.

Cronologia da queda do Master

Período Evento
2019 Vorcaro assume controle. Ativos cresceriam 9x até o colapso
2021 BC já exige ajustes após detectar uso de fundos para ocultar ativos ruins
Out/2023 Mudança na classificação de precatórios encarece manutenção de R$ 6 bi+ em carteira
1º sem/2024 Master compra Will Bank. BC descobre ajuste de R$ 1,8 bi necessário
Nov/2024 Captação rende R$ 2 bi vs R$ 15 bi esperados. Crise de liquidez se agrava
Set/2025 BC anula acordo BRB-Master por laços com investigação criminal
17/nov/2025 BC vota liquidação. Oferta da Fictor chega 7h depois. Vorcaro é preso no aeroporto

Fonte: Bloomberg Línea (com base no relatório do TCU)

Fundos e carteiras como instrumentos de ocultação

Segundo o TCU, o Master usava fundos de investimento e vendas de carteiras para transferir ativos de baixa qualidade para fora do balanço, fazendo o banco parecer mais saudável do que era. O modelo de negócios gerava um descompasso estrutural: a captação vinha de CDBs de curto prazo distribuídos via plataformas de investimento (dentro do limite de R$ 250 mil do FGC por CPF), enquanto os ativos eram empréstimos de baixa liquidez com longos períodos de carência e precatórios de difícil realização.

O balanço do BC ao fim de 2024 registrava R$ 63 bilhões em ativos totais, dos quais R$ 8,7 bilhões em precatórios e mais R$ 13 bilhões escondidos em camadas de fundos. O ajuste de balanço calculado pelo BC chegou a R$ 20 bilhões, quase quatro vezes o patrimônio líquido de R$ 5,2 bilhões. A Mastercard arcou com R$ 2,5 bilhões por ser a rede de pagamentos do Will Bank, fintech do grupo Master.

Tentativas de resgate falharam em sequência

O relatório documenta múltiplas tentativas de evitar o colapso. O acordo de R$ 2 bilhões com o BRB foi anulado pelo BC em setembro de 2025 por laços suspeitos entre o Master e gestores citados em investigações sobre crime organizado. O FGC assumiu temporariamente os pagamentos de curto prazo. Vorcaro vendeu ativos pessoais para capitalizar o banco e propôs um plano de liquidação ordenada de 180 dias.

A última cartada foi a venda à Fictor Holding, cuja oferta chegou ao BC às 22h55 de 17 de novembro, sete horas após o colegiado já ter votado pela liquidação do Master. No mesmo dia, Vorcaro foi preso em um aeroporto de São Paulo quando tentava embarcar para Dubai.

O que observar

O relatório do TCU consolida o caso Master como o maior episódio de fraude bancária do país e expõe limites estruturais na supervisão de bancos que crescem rapidamente com captação via plataformas digitais. O modelo, CDBs dentro do teto do FGC distribuídos em massa via apps de investimento financiando ativos ilíquidos, explorou uma assimetria que o arcabouço regulatório não foi rápido o suficiente para conter. A conta de R$ 52 bilhões para o sistema bancário é a mais concreta medida do tamanho do gap.

Vale acompanhar como o TCU e o Congresso vão usar o relatório para calibrar reformas. As mudanças mais prováveis incluem regras mais restritivas para captação via FGC, limites de concentração em ativos ilíquidos e requisitos de transparência para operações de fundos que envolvam partes relacionadas ao próprio banco.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s MoneyLet’s Money

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