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Wealthtech na Europa perde 46% em aportes no 2º trimestre

Funding de wealthtech na Europa caiu de US$ 343,2 mi para US$ 185 mi no 2º tri, com menos negócios e ticket médio 24% menor, aponta a FinTech Global.

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· 2 min

Atualizado em

Foto de Christian Lue na Unsplash

O dinheiro que sustenta as fintechs de gestão de patrimônio na Europa secou no segundo trimestre de 2026. Segundo a FinTech Global Research, o funding de wealthtech no continente caiu 46% entre abril e junho, de US$ 343,2 milhões no primeiro trimestre para US$ 185 milhões, num sinal de que a cautela dos investidores chegou também a esse nicho. Wealthtech é o termo para startups que digitalizam a gestão de patrimônio e investimentos.

Funding de wealthtech na Europa

Período Funding
4º tri 2025 US$ 826,9 mi
1º tri 2026 US$ 343,2 mi
2º tri 2026 US$ 185 mi

Dado do relatório trimestral de wealthtech na Europa. Fonte: Finextra

Menos negócios e cheques menores

A retração não foi só no valor total. O número de rodadas encolheu de 34 para 24 entre o primeiro e o segundo trimestre, e o ticket médio por negócio recuou 24%, de US$ 10,1 milhões para US$ 7,7 milhões. A queda dá sequência a uma trajetória de baixa iniciada em 2025: no quarto trimestre daquele ano, o setor havia captado US$ 826,9 milhões, mais que o quádruplo do registrado agora. A combinação de menos rodadas e cheques menores comprime as duas alavancas de captação ao mesmo tempo, o que costuma indicar não uma pausa pontual, mas um reajuste de expectativa sobre o setor.

Para a FinTech Global, o movimento reflete a postura mais defensiva de quem investe. “Os investidores não estão apenas fechando menos negócios, mas o fazem com cautela consideravelmente maior, comprometendo valores menores por transação à medida que a confiança no mercado europeu de wealthtech diminuiu”, afirma o relatório.

Bunch puxa o trimestre

Mesmo num período fraco, houve exceção. A maior captação do trimestre coube à alemã Bunch, que oferece infraestrutura para mercados privados e levantou US$ 35 milhões em uma rodada série B, liderada pela gestora Portage. O negócio, ancorado em automação de operações de fundos, mostra onde o capital ainda flui: soluções de bastidor para o mercado de capitais, e não produtos voltados ao investidor final. No Brasil, o apetite por wealthtech seguiu vivo em outra ponta, com a captação de US$ 65 milhões pela Wealth.com, fundada por brasileiros, junto de Google e Citi.

O que observar

A concentração do capital em poucas rodadas maiores costuma pesar mais sobre startups em estágio inicial, que dependem de cheques menores e de investidores dispostos a assumir risco de tese. Se a cautela relatada se estender pelos próximos trimestres, o efeito prático tende a ser um funil mais estreito na base, com founders esticando o caixa e revendo valuations antes de voltar ao mercado.

Vale acompanhar se o padrão europeu se repete em mercados emergentes. A retração global de aportes já apareceu nos dados brasileiros, quando as fintechs concentraram 67% dos aportes em startups no primeiro semestre, um sinal de que o dinheiro escasso migra para apostas percebidas como mais seguras.

Fontes: FinextraFinTech GlobalLet’s MoneyLet’s Money

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