A Wise lançou conta corrente completa no Reino Unido com rendimento de 3,26% ao ano sobre saldos em libra, enquanto £250 bilhões em contas britânicas tradicionais rendem zero. A fintech, que já opera no Brasil com foco em câmbio, marca a transição de plataforma de remessas para banco digital.
Wise Current Account vs. Banco Tradicional UK
| Característica |
Wise |
Banco Tradicional |
| Juros sobre saldo |
3,26% a.a. (variável) |
0% (£250 bi parados) |
| Câmbio |
Cotação comercial, sem markup |
Spread sobre cotação comercial |
| Contas locais |
GBP + 20 moedas |
1 moeda |
| Envio internacional |
70+ países, 74% instantâneo |
3-5 dias úteis |
| Cartão para menores |
Young Explorer (controle parental) |
Limitado |
A Wise posiciona a conta corrente como alternativa completa, com vantagem em câmbio e rendimento sobre saldos. Fonte: Wise Newsroom
O que a conta corrente oferece
O lançamento consolida um movimento que a Wise vinha sinalizando. A fintech iniciou o processo para obter licença bancária no Reino Unido, buscando controlar toda a cadeia de pagamentos. Agora, com a conta ativa, a empresa atende 3 milhões de clientes britânicos e detém £8 bilhões em depósitos no país.
O produto foi desenhado para quem tem vida financeira internacional. Além de débitos diretos e pagamentos do dia a dia, a conta inclui um Travel Hub com acesso a lounges de aeroporto e um cartão Young Explorer para menores de 18 anos, vinculado à conta dos pais com controle de gastos em tempo real. “Bancos não acompanharam o que clientes esperam de uma conta corrente. Ninguém deveria precisar de contas separadas para casa e exterior”, disse Nilan Peiris, Chief Product Officer da Wise.
Expansão global e o desafio latino-americano
O lançamento britânico faz parte de uma ofensiva internacional. A Wise lançou cartão de viagem na Índia, obteve cinco licenças na Tailândia e iniciou operação na África nos últimos meses. Em janeiro, o CEO Kristo Käärmann afirmou que a empresa quer “se tornar a rede para o dinheiro do mundo”, incluindo uma possível listagem dupla nos Estados Unidos.
Os números sustentam a ambição: a Wise processou £145 bilhões em transações internacionais no último ano fiscal, com 15,6 milhões de clientes ativos mantendo £27,5 bilhões na plataforma e 100 mil novos usuários por semana. No Brasil, onde a fintech opera com foco em remessas, o cenário regulatório é mais complexo. Em episódio anterior do podcast Let’s Money, Leticia Becker Tavares, Legal Counsel da Wise para a América Latina, detalhou que o principal gargalo operacional no país é o KYC obrigatório do recebedor, exigência sem paralelo em outros mercados.
O que observar
A conta corrente é o passo natural para fintechs de remessa que acumulam saldos bilionários de clientes. Quando depósitos atingem escala de dezenas de bilhões, a distância para operar como banco encurta. A questão central é regulatória: em mercados com requisitos rígidos de compliance cambial, como o KYC obrigatório do recebedor no Brasil, a conversão de usuários de remessa em correntistas encontra barreiras estruturais que não existem no mercado britânico.
Para fintechs de câmbio e remessa que operam na América Latina, o lançamento funciona como teste de hipótese. Se plataformas de remessa conseguirem converter sua base em correntistas ativos no Reino Unido, o modelo pode virar blueprint para mercados emergentes. Vale acompanhar o primeiro balanço pós-lançamento da conta corrente, previsto para o segundo semestre, e se essas fintechs passam a buscar licenças bancárias fora do mercado doméstico.
Fontes: Wise Newsroom • Finextra • PYMNTS • Let’s Money Podcast • Let’s Money