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RegulaçãoInternacional · Lavagem de Dinheiro

Regulador dos EUA nega licença de banco à Wise

O OCC negou o pedido da Wise para virar banco nos EUA, citando falhas de compliance. Ação caiu 7% e fintech vai tentar de novo sob o GENIUS Act.

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· 3 min

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daily_creativity / Shutterstock.com

O OCC, regulador que autoriza bancos nacionais nos Estados Unidos, negou o pedido da Wise para operar como banco no país. A decisão fez a ação recuar cerca de 7% no pregão da manhã e trava, por ora, o plano da fintech britânica de câmbio de se conectar direto aos sistemas de pagamento do Federal Reserve.

O que a decisão muda para a Wise nos EUA

Item Situação
Pedido Licença de national trust bank, protocolada há mais de um ano
Decisão do OCC Negado
Benefício perdido Conexão direta aos sistemas de pagamento do Federal Reserve
Operação nos EUA Mantida, com licenças de money transmitter
Próxima tentativa Novo pedido sob o marco do GENIUS Act

Principais pontos da decisão do OCC sobre a Wise. Fonte: Finextra

Por que o OCC barrou o pedido da Wise

Segundo o OCC, a gestão e o conselho propostos pela Wise demonstraram “incapacidade persistente” (em tradução livre) de administrar riscos de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo, e o pedido trazia preocupações significativas de supervisão e compliance. A leitura pesa porque o histórico regulatório da empresa acumula episódios recentes.

Em julho de 2025, a Wise levou uma multa de US$ 4,2 milhões de reguladores estaduais americanos por deficiências nos controles antilavagem. Em junho de 2026, a fintech confirmou que promotores na Bélgica abriram uma investigação sobre o suposto uso de suas contas para lavar recursos ligados a fraude, tráfico de drogas e corrupção. Sobre a ordem de consentimento associada à multa de 2025, a empresa afirma que reforçou o programa local nos EUA, aprimorou os processos de investigação e reporte e aumentou os recursos da área de compliance.

“Nosso negócio e nossa maturidade de compliance evoluíram significativamente” (em tradução livre) desde o protocolo, apresentado há mais de um ano, diz a Wise em comunicado. A empresa afirma que pretende reapresentar um pedido “viável” no momento oportuno e ressalta que a decisão do OCC não afeta a operação atual no país, sustentada por um conjunto de licenças de money transmitter.

A aposta nos EUA e o plano com stablecoins

A negativa é um baque para uma empresa que, meses antes, migrou a listagem de Londres para a Nasdaq, em busca de mais visibilidade no que chamou de maior oportunidade de mercado para seus produtos. Presente também no Brasil em câmbio e remessas, a Wise tem nos Estados Unidos o principal alvo de expansão.

Com a licença de national trust bank, a fintech poderia se plugar direto aos trilhos de pagamento do Federal Reserve, sem depender de bancos intermediários. Sem ela, a companhia sinaliza um caminho alternativo: reapresentar o pedido sob o marco do GENIUS Act, a lei americana para ativos digitais. “Com ativos digitais, como as stablecoins, ganhando visibilidade ao lado dos trilhos de pagamento existentes, a infraestrutura da Wise está bem posicionada para um papel importante de interoperabilidade nesse ecossistema em transformação” (em tradução livre), afirma a empresa.

O que observar

O caso mostra como o histórico de compliance vira ativo ou passivo estratégico quando uma fintech de pagamentos busca uma licença bancária plena. Para reguladores que concedem acesso direto a trilhos de liquidação, a régua de controles antilavagem tende a subir na proporção do risco sistêmico que a nova instituição passaria a carregar. Vale acompanhar se a rota via marco de ativos digitais oferece um caminho mais curto do que a licença bancária tradicional, ou se apenas desloca a mesma exigência de controles para outro enquadramento. Para plataformas de câmbio e remessas que operam em múltiplas jurisdições, a pergunta prática é quanto tempo e capital de compliance separam a operação atual de uma licença que destrave conexão direta à infraestrutura de pagamentos.

Fontes: FinextraThe DefiantLet’s MoneyLet’s Money

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