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Investidor abre queixaRegulação · CVM

Braço do Santander atrasa apuração de cotas de fundos da XP

Sete fundos Trend da XP Asset acumulam semanas sem cotação por falha do S3 Caceis; XP convoca assembleia para migrar custódia para o Bradesco.

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Atualizado em

Divulgação

O custodiante S3 Caceis, braço do Santander no Brasil, acumula semanas de atraso na apuração de cotas de fundos da família Trend, da XP Asset: o Trend Valor Brasil ficou 33 dias sem atualização, um cotista prejudicado abriu queixa formal na CVM e a gestora convocou assembleia para migrar a custódia.

Fundos Trend com cotas desatualizadas

Fundo Cotistas Patrimônio Atraso
Trend Valor Brasil 7,6 mil R$ 59 mi 33 dias (desde 1/abr)
Trend Prata 18 mil R$ 193,5 mi 15+ dias
Trend Tecnologia Americana 20,5 mil R$ 318,9 mi 10+ dias

Fundos da família Trend com atraso na divulgação de cotas. Fonte: Valor Econômico

A falha que travou as cotas dos fundos Trend

Nos fundos de investimento, a gestora escolhe os ativos, mas é o custodiante e controlador quem calcula e divulga a cota diariamente. A XP Asset administra os fundos Trend, mas terceiriza custódia e controladoria dos fundos líquidos para o S3 Caceis, da família Santander. O problema, segundo a explicação recebida por cotistas, está nessa camada operacional: em vez de novas cotas, os sistemas exibem o mesmo valor por dias seguidos. Ao todo, pelo menos sete fundos da família Trend acumulam atrasos significativos, reunindo mais de 46 mil cotistas e cerca de R$ 570 milhões em patrimônio.

As consequências já ultrapassaram o plano operacional. Um cotista do Trend Tecnologia Americana relatou que solicitou resgate e recebeu o pagamento calculado sobre uma cota desatualizada. “Isso comprova que a falha do custodiante, admitida pela XP como um ‘incidente em última instância’, está gerando prejuízos financeiros diretos e insegurança jurídica na liquidação dos ativos”, afirmou o investidor em queixa apresentada à CVM.

Atrasos de dias são tolerados no mercado, mas quando persistem por semanas o administrador do fundo responde perante o regulador, e o cotista corre o risco de entrar ou sair da estratégia num valor errado. O Santander disse em nota que “os times da S3 Caceis e da XP estão atuando em conjunto para ajustar eventuais pendências”, sem detalhar a origem da falha.

A migração em curso

A XP Asset já convocou assembleia de cotistas para transferir os fundos líquidos para a custódia do Bradesco e para a própria área de administração fiduciária da XP. O movimento não se restringe à gestora: outras casas independentes que utilizavam o S3 Caceis como prestador de serviço teriam iniciado os mesmos trâmites, segundo apuração do Valor.

A CVM, que em fevereiro formou uma equipe dedicada ao caso do Banco Master, informou acompanhar “movimentações no âmbito do mercado de valores mobiliários” sem comentar casos específicos, mas reforçou que cotistas podem encaminhar reclamações pelo SAC. O Santander, que no ano passado enfrentou instabilidade em sistemas após ataque hacker, agora acumula contestações no braço de custódia de fundos. A Oliveira Trust, que cuida dos fundos estruturados da XP como FIIs, FIPs e FIDCs, não foi mencionada como afetada.

O que observar

A pergunta mais imediata não é se a falha será corrigida, mas em quanto tempo e com que consequências regulatórias. Atraso superior a um mês na divulgação de cotas expõe custodiantes e administradores a penalidades da CVM, incluindo multas diárias por atraso no pagamento de resgates. Vale acompanhar se a autarquia abrirá processo administrativo formal ou se a regularização espontânea interrompe a análise. O prazo entre a convocação de assembleia e a migração efetiva de custódia também importa: durante esse intervalo, cotistas seguem expostos ao mesmo risco operacional.

O episódio levanta uma questão estrutural mais ampla. A concentração de custódia em poucos prestadores reduz custos para gestoras e fundos, mas cria pontos únicos de falha que afetam dezenas de carteiras simultaneamente quando a operação trava. Se múltiplas gestoras migrarem ao mesmo tempo, os custodiantes receptores enfrentam pico de onboarding que pode gerar novas fricções operacionais durante a transição. A crise evidencia que a resiliência da cadeia de valor de fundos depende tanto da gestão dos ativos quanto da infraestrutura operacional que sustenta o registro diário das cotas.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money

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