A XP encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,32 bilhão, alta de 7% em 12 meses. Dos R$ 38 bilhões de captação líquida no varejo, R$ 19 bilhões vieram do reembolso de clientes do Banco Master, recursos extraordinários retidos pela plataforma ao serem reinvestidos. Sem esse efeito, a captação teria recuado 41,7% em um ano, ficando em R$ 14 bilhões.
XP 1T26: resultado com e sem efeito Master
| Indicador |
Valor |
Var. 12 meses |
| Lucro líquido ajustado |
R$ 1,32 bi |
+7% |
| Captação varejo (com Master) |
R$ 38 bi |
– |
| Captação varejo (sem Master) |
R$ 14 bi |
-41,7% |
| Ativos totais de clientes |
R$ 2,14 tri |
+21% |
| Dividendos aprovados |
R$ 500 mi |
– |
Resultado do 1T26 da XP Inc. Fonte: Valor Econômico
O que o efeito Master encobriu
A XP era a principal distribuidora de CDBs do Banco Master, com o maior estoque em papéis das instituições do grupo liquidado em novembro de 2025. Dos cerca de R$ 25 bilhões já reembolsados pelo FGC aos seus clientes, a plataforma reteve 77%, gerando o fluxo de R$ 19 bilhões que inflou a captação do 1T26.
No lado da receita, a marcação a mercado em papéis de renda fixa pressionou o resultado trimestral. “A XP só tem papel de ótimo crédito, ‘AA’ ou ‘AAA’, e não teve nenhum evento de [inadimplência] de crédito, nenhum desses nomes que se acompanhou no Brasil. Nossa PDD [provisão para devedores duvidosos] está super em linha [com as expectativas]. Mas se olhar nas receitas de renda fixa no varejo e no nosso serviço de emissões, que é o Investment Bank, tem uma receita menor”, disse Thiago Maffra, CEO da XP. A receita no varejo somou R$ 3,77 bilhões (-2,3% no trimestre, +8% em 12 meses) e o banco de atacado gerou R$ 1,15 bilhão (+26% anual, -7,7% trimestral).
Dividendos, recompras e novo CFO
A companhia aprovou um novo programa de recompra de R$ 1 bilhão e o pagamento de R$ 500 milhões em dividendos para junho. Somando as iniciativas previstas ao longo de 2026, a administração projeta retorno em dividendos acima de 10% sobre a capitalização atual. A meta para o triênio 2024-2026 permanece no horizonte: R$ 22,8 bilhões em receita com margem EBT de 30%, ainda que o Basileia esteja em 20,7%, acima da meta de 19%.
A empresa anunciou ainda Gustavo Alejo, ex-executivo do Santander com mais de 26 anos de experiência, como novo CFO em substituição a Victor Mansur. A escolha reflete a expansão em verticais bancárias: cartões, seguros, crédito e câmbio. Para o segundo semestre, a XP planeja entrar no crédito para pequenas e médias empresas, com linhas atreladas à antecipação de recebíveis e subadquirência. O movimento integra um ciclo em que as plataformas digitais somaram mais de R$ 7 bilhões de lucro no 3T25, expandindo atuação para além dos investimentos.
O que observar
A captação orgânica de R$ 14 bilhões, sem o fluxo extraordinário de reembolso que caracterizou o 1T26, é o termômetro mais revelador das plataformas de investimento que buscam crescer em market share de forma recorrente. Para sustentar a liderança que esse segmento almeja, o ritmo orgânico precisaria ser quase o dobro. O próximo trimestre será o primeiro teste limpo: captação orgânica, NPS e receitas diversificadas medirão a saúde real do modelo sem colchão extraordinário.
Vale acompanhar se a expansão em crédito para pequenas e médias empresas, câmbio e seguros consegue compensar a pressão da marcação a mercado em renda fixa. Com índice de capital regulatório acima da meta e distribuição ambiciosa de proventos planejada para o ano, a gestão do Basileia vai coexistir com a pressão por crescimento orgânico. O NPS em 61, ainda impactado pelos eventos de crédito que marcaram o primeiro trimestre, adiciona urgência à recuperação da experiência do cliente como principal vetor de retenção nas plataformas de investimento.
Fontes: Valor Econômico • InfoMoney • Let’s Money • Let’s Money