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Visa: pagamentos lentos abrem janela de fraude de 3 a 10 dias

Fraude em pagamentos lentos ocorre na janela de 3 a 10 dias de incerteza, aponta VP da Visa. Certeza no recebimento vale mais que velocidade.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

A fraude em pagamentos tende a ocorrer nos três a dez dias em que não há certeza sobre o status do dinheiro, segundo Jim Filice, vice-presidente da Visa responsável por movimentação doméstica na América do Norte, num argumento que expõe o custo operacional que pagamentos lentos criam para remetentes e destinatários.

Infraestrutura de pagamentos da Visa

Indicador Dado
Pontos de pagamento habilitados 12 bilhões
Países e territórios 195
Moedas suportadas 150
Destinos via conexão única Cartões, contas bancárias e carteiras digitais

Fonte: PYMNTS

Pagamentos lentos, custos invisíveis

Filice compartilhou um caso próprio: ao transferir dinheiro de sua conta bancária para uma plataforma de investimentos, o dinheiro saiu da conta no primeiro dia, mas a plataforma mostrava “aguardando confirmação do banco” por cinco dias. A investigação revelou que o banco havia emitido um cheque físico e enviado por correio para a corretora, embora os dois escritórios ficassem a menos de cinco minutos a pé. “Velocidade é importante. Ser rápido é importante, mas o que realmente precisamos discutir é o que a velocidade resolve”, disse ele. “Trata-se dessa certeza.”

O custo não se limita ao destinatário que espera. Cada pagamento atrasado pode gerar ligações de suporte, contestações e reemissões, criando despesas operacionais que muitas vezes superam o valor transacionado. Filice argumentou que a fraude tende a se concentrar exatamente nesse período de incerteza: após o dinheiro sair da conta remetente mas antes de aparecer no destino, o risco de desvio e contestação é maior. Muitas organizações investiram anos aprimorando o front-end, como digitalização de solicitações e desenvolvimento de aplicativos, mas deixaram o pagamento em si de fora dessa reformulação.

Certeza no pagamento, não apenas velocidade

O argumento central de Filice é que os consumidores e empresas não querem apenas dinheiro rápido: querem saber quando o dinheiro vai chegar e não ter que se perguntar se está perdido, atrasado ou preso em algum ponto invisível do sistema. Para remetentes, pagamentos mais rápidos significam menor exposição a fraudes, menos suporte técnico e melhor controle de fluxo de caixa. Para destinatários em situação de urgência, como reembolsos de saúde, indenizações de seguro ou pagamentos de plataformas de trabalho sob demanda, a certeza tem valor financeiro direto.

A Visa posiciona sua infraestrutura como resposta a esse problema: via Visa Direct, a empresa afirma conseguir encaminhar dinheiro para cartões, contas bancárias e carteiras digitais por uma única conexão, com validação de contas, visibilidade de status e ferramentas de risco integradas. A disponibilidade efetiva dos fundos ainda depende das instituições receptoras, mas o argumento da empresa é que o gargalo técnico está superado. A empresa já vinha avançando em soluções de pagamento B2B por fatura com proposta semelhante de eliminar o cheque do processo.

O que observar

A infraestrutura está disponível, mas a adoção depende de vontade organizacional para redesenhar a experiência de pagamento com a mesma atenção dedicada ao restante da jornada do cliente. Setores com baixa pressão competitiva, como seguros, saúde e governo, tendem a ser mais lentos porque os clientes não trocam de fornecedor com facilidade. Nesses casos, o custo dos pagamentos lentos se manifesta em confiança erodida e despesas de atendimento, não em perda imediata de receita.

O ponto mais relevante levantado é o de análise holística: organizações que calculam o custo dos pagamentos apenas como taxa de transação tendem a subestimar o impacto real. “Gostaria que as pessoas analisassem os números de forma mais holística e de ponta a ponta”, disse Filice. “Como isso impacta todo o meu negócio do início ao fim? Só assim é possível começar a entender o verdadeiro valor em cada etapa.” A pergunta prática para emissores é quando o custo somado de suporte, fraude e reemissão supera o investimento em modernizar o back-end de pagamentos.

Fontes: PYMNTSLet’s Money

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