A Visa lança no Brasil o Commercial Pay, plataforma que substitui cartões físicos por credenciais virtuais sob demanda para pagamentos entre empresas, em um mercado global que movimenta mais de US$ 200 trilhões por ano.
Como funciona o Visa Commercial Pay
| Funcionalidade |
Como funciona |
| Credencial virtual |
Emitida em tempo real para colaboradores ou fornecedores |
| Controle de gastos |
Limites específicos por fornecedor ou categoria de uso |
| Carteiras digitais |
Compatível com Apple Pay e Google Pay via NFC |
| Conciliação |
Fluxo automático substitui processos manuais |
| Crédito PJ |
Decisão de oferta baseada em fluxo de recebíveis |
Funcionalidades anunciadas pela Visa no Brasil. Fonte: Bloomberg Línea
Cinco anos para chegar ao Brasil
O Commercial Pay opera globalmente desde 2020, com presença em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia. A chegada ao Brasil ocorreu com o alinhamento entre maturidade tecnológica e a demanda local do mercado de adquirência. “As empresas podiam resolver pagamentos de fornecedores sem essas soluções, usando nossos cartões ou tokens, mas essa solução torna a vida muito mais fácil e agora está mais enriquecida”, disse Ana Rojas, SVP e Head de Soluções Comerciais e de Movimentação de Dinheiro para a América Latina da Visa.
A distribuição começa pelos bancos com serviços próprios de adquirência. “Eles são como o combo ideal para este tipo de soluções e é por aí que estamos começando”, afirma Rojas. “Já fechamos com uma instituição e estamos falando com outra.” A estratégia segue o movimento de outras apostas da Visa em soluções de pagamento por fatura para o segmento corporativo.
PMEs, crédito e o horizonte de IA
Em paralelo ao Commercial Pay, a Visa colocou no mercado um produto para apoiar emissores na decisão de crédito a pessoas jurídicas com base em fluxo de recebíveis. A proposta é corrigir uma distorção frequente na América Latina: empreendedores com acesso a mais crédito como pessoa física do que como empresa. “Na América Latina, 98% das empresas são PMEs, responsáveis pela maioria dos empregos, mas ainda carecem de soluções sob medida”, diz Rojas.
No horizonte, a empresa projeta crescimento nos pagamentos corporativos com a combinação de stablecoins e agentes de IA no B2B. “A previsão é de que mais de 60% dos negócios com agentes e com stablecoins sejam no B2B”, afirma Rojas. A Visa diz trabalhar em mecanismos de proteção para que esses agentes sejam confiáveis para ambos os lados de cada transação.
O que observar
O mercado de pagamentos B2B no Brasil permanece atrás dos avanços que consumidores finais já experimentam com Pix e Open Finance. O lançamento sinaliza que bandeiras internacionais estão começando a endereçar esse gap com soluções que encurtam o ciclo entre emissão, pagamento e conciliação. Duas variáveis merecem atenção: se a estratégia de entrada via bancos-adquirentes consegue escala suficiente para criar um novo padrão no B2B, ou se o maior impacto virá do produto de crédito por recebíveis, que toca uma dor estrutural das PMEs que buscam infraestrutura de crédito.
O processo de onboarding no B2B tende a ser mais lento do que no varejo: cada empresa exige integração com ERP e fluxos de aprovação próprios. A adoção por grandes corporativos, que têm maior volume de fornecedores para gerenciar, pode ser o caminho mais previsível de escala. Vale acompanhar se fintechs de crédito corporativo vão convergir com grandes redes de pagamentos ou disputar o mesmo espaço dentro do balanço dos emissores.
Fontes: Bloomberg Línea • Visa