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Banco Carrefour vai além do cartão e vira multiproduto

Sob Felipe Gomes, o Banco Carrefour usa a transversalidade das bandeiras e ataca o B2B para virar um banco multiproduto muito além do cartão.

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· 4 min

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Veja / Shutterstock.com

O Banco Carrefour quer parar de ser lembrado só pelo cartão. Sob o comando de Felipe Gomes, que chegou há três anos após meia década tocando a Ticket (do grupo francês Edenred), a instituição virou uma máquina de reestruturação e agora persegue um alvo maior: ser um banco multiproduto, com conta digital, crédito pessoal, seguros, adquirência e serviços a empresas.

A largada foi pela rentabilidade: régua de crédito mais dura, corte em operações de baixa escala e custo segurado abaixo da inflação. O giro de chave, porém, veio em 2024, com a união das três bandeiras do grupo (Atacadão, Sam’s Club e Carrefour), que até então rodavam isoladas, cada cartão preso à sua própria rede.

A aposta atende pelo nome de transversalidade: todo cartão passa a valer em toda loja do grupo. “Quando a gente viu que a força não era vertical, mas transversal, percebemos que o cliente estava gastando fora o que poderia gastar dentro de outra unidade do grupo”, disse Gomes ao Brazil Journal.

O efeito apareceu no bolso. Quem passou a comprar nas três bandeiras elevou o gasto médio em 200%, e o cartão do banco perdeu 7 pontos percentuais de uso em concorrentes. No total, o lucro líquido virou quatro vezes maior em três anos, batendo R$ 300 milhões, enquanto o saldo de crédito engordou 56%, a R$ 26,4 bilhões.

Banco Carrefour em três anos

Lucro líquido R$ 300 mi (quadruplicou)
Carteira de crédito R$ 26,4 bi (+56%)
Gasto médio do cliente multibandeira +200%
Uso do cartão em concorrentes -7 pontos percentuais
Consumidores nas lojas x clientes do banco 65 mi x 7,2 mi

Resultados e escala do Banco Carrefour após três anos de reestruturação. Fonte: Brazil Journal

A base da loja como oportunidade

O número que resume a ambição está na distância entre dois públicos: de um lado, algo como 65 milhões de pessoas circulam mensalmente pelas lojas do grupo; do outro, o banco atende só 7,2 milhões. Fechar esse vão é o coração do plano. “A gente precisa crescer, e não só crescer nos produtos atuais, mas criar uma estratégia mais ampla e multiproduto”, afirmou o executivo.

A primeira ponte para essa base já está em piloto: uma conta digital para a gente que circula pelas lojas e ainda não teve cartão aprovado. A lógica lembra a de outros bancos de varejo que transformam a base de clientes em plataforma: começa simples e vai empilhando produto. “É o início de um relacionamento mais simples, com menos risco para os dois lados. Depois, eu posso entrar com outros produtos financeiros”, disse Gomes. Hoje, 82% da base ativa usa os apps do grupo e quatro em cada cinco empréstimos saem pelo celular, embora dois em cada três novos clientes ainda entrem pela loja física.

B2B e maquininha sem entrar na guerra

A segunda frente é o pequeno negócio. Hoje, cerca de um terço do que o grupo fatura sai de clientes corporativos (donos de restaurante, comerciantes e atacadistas que abastecem no Atacadão), mas a carteira ainda é quase toda de pessoa física. Para virar esse jogo, o banco monta uma vertical B2B: conta PJ, cartão para o dono do negócio, crédito de giro e adiantamento de recebíveis, num terreno onde rivais também avançam com cartão e maquininha para empresas.

A própria maquininha, que existe desde 2022, ganha uma nova versão pensada como flywheel: o lojista vende no terminal, antecipa recebíveis em condição melhor e usa o dinheiro para repor estoque no Atacadão. Gomes faz questão de dizer que não vai brigar de igual para igual com as gigantes da adquirência, num mercado que segue recheado de novas apostas em captura de pagamento. “Não estou entrando na guerra das maquininhas”, diz. “Mas vou ter produtos financeiros com uma maquininha em que posso ser muito mais capaz de dar uma antecipação de recebíveis mais barata se ele comprar na minha loja.”

O que observar

A jogada testa uma tese que vários varejistas de grande base perseguem: transformar fluxo de loja em relacionamento bancário recorrente. Vale acompanhar se a conta digital de fato converte o consumidor que não passa na análise de cartão sem inflar a inadimplência, se a expansão para pequenas empresas encontra espaço num segmento já disputado por adquirentes e bancos digitais, e se as linhas de negócio além do cartão, hoje mais da metade do resultado operacional, seguram o crescimento quando o ciclo de crédito aperta. A vantagem de partir de uma rede física com frequência alta é real, mas exige disciplina de risco para não virar passivo.

Fontes: Brazil JournalLet’s MoneyLet’s Money

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