Uma fintech de Open Finance está no centro de um movimento que pode redesenhar a relação entre varejo, crédito e pagamentos no Brasil. A aquisição da Akropoli pela Rock Encantech, empresa de inteligência de varejo sediada em São Paulo, sinaliza que os dados financeiros, antes quase exclusivos de bancos e fintechs, começam a ganhar protagonismo direto no ponto de venda.
O valor da transação não foi divulgado, mas o impacto estratégico é evidente. A Akropoli é uma fintech regulamentada pelo Banco Central e especializada em infraestrutura e inteligência de Open Finance. Já a Rock Encantech opera um dos maiores ecossistemas de dados comportamentais do país, monitorando cerca de 130 milhões de consumidores e processando mais de 1,3 bilhão de transações por ano no varejo.
A combinação cria algo novo no mercado brasileiro: uma camada unificada que cruza comportamento de compra, localização, recorrência e dados financeiros autorizados pelo consumidor. Para o varejo, isso abre espaço para decisões mais sofisticadas sobre crédito, meios de pagamento, prevenção a fraudes e ofertas personalizadas baseadas na capacidade financeira real do cliente, não apenas no histórico de consumo.
Open Finance deixa de ser tema bancário
Durante anos, o Open Finance foi tratado como uma agenda quase exclusiva de bancos, fintechs e reguladores. Esse cenário começa a mudar à medida que o modelo atinge escala. O Brasil já soma 84 milhões de clientes ativos em Open Finance, criando massa crítica para aplicações fora do sistema financeiro tradicional.
A Akropoli cresce cerca de 86% ao mês em acesso a dados financeiros, ritmo quase dez vezes superior à média do mercado. Atualmente, a fintech processa mais de 12 milhões de transações mensais, oferecendo infraestrutura para que empresas utilizem dados financeiros de forma segura, consentida e integrada a seus fluxos operacionais.
Segundo Paulo Valadares, cofundador da Akropoli, o avanço do Open Finance permite uma leitura mais completa do consumidor. A lógica deixa de ser apenas “o que ele compra” e passa a incorporar “como ele paga” e “qual sua real condição financeira naquele momento”. Essa mudança é decisiva para destravar novos modelos de crédito no varejo, iniciação de pagamentos via Pix e ofertas mais eficientes.








