Jamie Dimon afirmou na terça-feira (5) que a Anthropic deveria expor publicamente mais detalhes sobre o Mythos, modelo de IA projetado para detectar vulnerabilidades em software, enquanto Michelle Bowman, vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, disse que a estrutura regulatória existente pode não ser adequada para avaliar esse tipo de sistema.
Mythos: linha do tempo
| Data |
Evento |
| 7 abr/2026 |
Mythos lançado de forma restrita a empresas de tecnologia selecionadas |
| 7 abr/2026 |
Bessent e Powell convocam reunião de emergência com CEOs dos grandes bancos |
| 22 abr/2026 |
Grupo obtém acesso não autorizado ao Mythos |
| Mai/2026 (semana passada) |
Bowman discute Mythos em mesa redonda do FSOC |
| 6 mai/2026 |
Dimon pede mais abertura sobre o Mythos em evento da Anthropic |
Fonte: Banking Dive
O pedido de abertura e o risco dual
Dimon afirmou que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, deveria dar às pessoas a oportunidade de estudar o modelo, entender as vulnerabilidades e elaborar planos para lidar com a situação. O CEO do JPMorgan disse que problemas de cibersegurança representam o maior risco para o banco há anos e que a IA agravou o cenário, mas classificou esse risco específico como temporário, associado ao atual período de transição tecnológica.
O próprio Amodei declarou que o Mythos representa um momento de perigo ao expor vulnerabilidades: o modelo encontrou milhares de falhas de alta severidade em sistemas operacionais e navegadores durante os testes. Por isso, a Anthropic optou por não lançar o modelo publicamente, liberando-o pelo programa Project Glasswing a parceiros selecionados, como Amazon, Microsoft, Apple, CrowdStrike e Google, para que pudessem corrigir vulnerabilidades antes que fossem exploradas. A relação da Anthropic com o governo americano em torno de riscos de segurança já havia sido tensa antes, com o Pentágono tendo classificado a empresa como risco de segurança nacional em fevereiro.
A supervisão que o Fed precisa reinventar
Bowman aponta que o Mythos destaca a natureza dinâmica da IA e a velocidade com que ela evolui. Segundo ela, o modelo acelera a detecção de vulnerabilidades cibernéticas, o que pode beneficiar empresas que as corrijam por conta própria, mas, se usado de forma maliciosa, pode ser empregado para identificar e explorar as mesmas fragilidades. Bowman disse que, à medida que mais informações sobre o Mythos forem conhecidas, o Fed avaliará como supervisionar seu uso de forma eficaz.
A postura regulatória já mudou em uma direção relevante: Fed, OCC e FDIC alteraram recentemente suas diretrizes de gerenciamento de risco de modelo para esclarecer que elas não se aplicam à IA generativa nem agentiva. Bowman afirmou que a estrutura existente pode não ser a mais adequada para avaliar esse tipo de sistema e que reguladores precisam se manter atualizados e incorporar o feedback da indústria para desenvolver abordagens adaptáveis. A Anthropic já havia entrado no setor financeiro diretamente com o Claude para Serviços Financeiros, o que amplia a exposição do sistema bancário ao modelo da empresa.
O que observar
A exclusão da IA generativa e agentiva das diretrizes de gerenciamento de risco de modelo cria uma lacuna regulatória temporária: enquanto as agências bancárias desenvolvem novos frameworks específicos, os bancos operam sem parâmetros formais para avaliar sistemas como o Mythos. A velocidade de desenvolvimento desses modelos tende a superar o ciclo regulatório tradicional.
Para o sistema financeiro, o risco mais relevante não é apenas operacional, mas sistêmico: se um modelo capaz de identificar vulnerabilidades cair em mãos erradas, instituições que compartilham infraestrutura de tecnologia comum podem ser afetadas simultaneamente. O episódio do acesso não autorizado ao Mythos em abril evidencia que a contenção de modelos com potencial dual é mais difícil na prática do que em teoria.
Fontes: Banking Dive • CNBC • Let’s Money