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BB alerta: cartão vai puxar inadimplência no 2° tri

Banco do Brasil alerta que cartão vai puxar inadimplência no 2° tri; PDD sobe 85,8% para R$ 18,9 bi e ROE cai a 7,3% no 1° trimestre.

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Diego Grandi / Shutterstock.com

O Banco do Brasil registrou salto de 85,8% nas provisões para devedores duvidosos no primeiro trimestre de 2026, que chegaram a R$ 18,9 bilhões, e sinalizou que o cartão de crédito vai intensificar a pressão sobre a inadimplência no segundo trimestre. O índice de atraso acima de 90 dias subiu de 3,63% para 5,05%, levando o retorno sobre patrimônio (ROE) a 7,3%.

Banco do Brasil: 1° trimestre de 2026

Indicador Resultado
Provisões (PDD) R$ 18,9 bi (+85,8%)
Inadimplência >90 dias 5,05% (ante 3,63%)
Retorno sobre patrimônio (ROE) 7,3%

Indicadores do Banco do Brasil no 1° trimestre de 2026. Fonte: Exame

Como o agro contaminou o varejo

A piora antecipada não foi surpresa interna. O CRO do banco identificou “uma piora no comportamento, principalmente do nosso cliente de cartão de crédito. O cliente que tem menos resiliência ao cenário econômico“, e foi direto: “vai afetar a inadimplência, principalmente cartão de crédito no segundo tri de 2026”. O mecanismo de contágio vem do agronegócio: produtores rurais com caixa comprimido passaram a atrasar também despesas pessoais e linhas de varejo, espalhando o risco para a carteira de pessoa física. A inadimplência rural acima de 90 dias saltou para 6,22%, segundo a Agência Brasil.

Geovanne Tobias, vice-presidente financeiro do Banco do Brasil, atribuiu a queda do ROE ao “agravamento do risco, principalmente na carteira rural e também um pouco agora prudencialmente que fizemos na carteira de pessoa física”. Diante disso, o banco não esperou as operações cruzarem a barreira dos 90 dias: provisionou de forma preventiva. O resultado foi amplo: o lucro do trimestre caiu 54% para R$ 3,4 bilhões, e o banco, que em fevereiro já havia pedido prazo maior ao Tesouro para devolver R$ 4,1 bilhões, revisou sua projeção de lucro para 2026 de R$ 22–26 bilhões para R$ 18–22 bilhões.

O que observar

A sinalização é um indicador antecedente relevante: quando uma instituição com alta concentração em agronegócio provisiona de forma preventiva e projeta deterioração adicional em cartão para o próximo trimestre, o movimento costuma preceder movimentos similares no sistema bancário. A inadimplência já atingia recorde histórico em janeiro; o agravamento no crédito rural é o vetor que agora adiciona pressão sobre a carteira de varejo.

Vale acompanhar se outros bancos com exposição relevante ao agronegócio vão seguir a mesma estratégia de antecipar provisões. A lógica preventiva protege os balanços futuros, mas o nível de inadimplência reportado no próximo trimestre revelará a dimensão real da deterioração ainda em curso: provisionou-se com base numa piora esperada, não numa piora já consumada.

Fontes: ExameAgência BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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