O Bank of America lançou em junho de 2026 o Custom Pay Plan, que troca o juro do rotativo por uma taxa fixa mensal em compras específicas no cartão de crédito (prazo de 3 a 18 meses). Com isso, quatro dos cinco maiores bancos americanos já têm parcelado próprio para disputar o turf BNPL com Klarna, Affirm e PayPal.
O JPMorgan Chase, maior banco dos EUA, foi além: há três anos colocou o “Pay in 4” no débito, para compras de US$ 50 a US$ 400. Citi (2019) e U.S. Bank (2025) também têm produto próprio, todos restritos ao cliente do próprio banco.
Bancos no BNPL
O que os grandes bancos americanos já oferecem
Banco
Produto
Desde
Bank of America
Custom Pay Plan (crédito)
jun. 2026
JPMorgan Chase
Pay in 4 (débito)
2023
Citi
Opção flexível (crédito)
2019
U.S. Bank
Cartão com 3 parcelas iguais
2025
Os quatro maiores bancos americanos têm alguma versão de parcelado próprio. Fonte: Banking Dive.
BofA mira “previsibilidade”, Affirm acha brecha no débito
Para Lora Monfared, head de produtos de cartão de crédito ao consumidor do Bank of America, o gatilho do novo plano foi a busca dos clientes por mais clareza sobre a parcela mensal e o prazo de cada compra, em declaração à Banking Dive em 12 de junho. O BofA não tem produto similar para débito.
Do outro lado, Wayne Pommen, chief revenue officer da Affirm, disse à Banking Dive que o avanço dos grandes parou no crédito: “essa oferta baseada em débito é meio nova e única, e ainda não vimos muito disso em lugar nenhum” (em tradução livre).
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Affirm vira fornecedor B2B e mira o “debit first”
Em vez de bater os grandes no cliente final, a Affirm decidiu vender infraestrutura. A fintech estima 130 milhões de americanos “debit first” que gastariam US$ 2 mil a mais por ano se tivessem parcelado embarcado, num mercado de US$ 140 bilhões em débito anual. O tech chega via parceria exclusiva com a Fiserv e acordo separado com a FIS. Em paralelo, a Affirm sinalizou que quer virar banco, enquanto o Equipifi levantou US$ 34 milhões em Série B com a mesma tese para bancos regionais.
O movimento ecoa no Brasil
Os números calibram o tamanho do mercado: 54 milhões de americanos usaram BNPL em 2023, com ticket médio de US$ 135 (CFPB, dezembro de 2025); as originações saltaram de 20 milhões em 2019 para 336 milhões em 2023. Pesquisa da JD Power de março de 2026 com 3,9 mil consumidores mostra que 37% dos adultos americanos usaram BNPL nos últimos 90 dias, com satisfação maior em produtos vindos de bancos.
A leitura conecta com o mercado local: por aqui, o Let’s Money mostrou em maio que o BNPL recua e o cartão de crédito absorve o parcelamento jovem. A diferença é que aqui o cartão já chega parcelado de fábrica há décadas, enquanto nos EUA o instrumento padrão era o rotativo.
O que observar
O eixo da próxima rodada parece ser o cartão de débito: onde os grandes ainda hesitam e onde fintechs e processadoras veem mercado virgem. Vale acompanhar se bancos médios e cooperativas vão terceirizar a camada ou construir o produto. Para reguladores, a dúvida é se a oferta em débito reaviva o debate sobre transparência de custo.