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BRBCrédito · Banco Master

BRB mira R$ 15 bi com FIDC de ativos herdados do Master

BRB fechou acordo com gestora para estruturar FIDC de até R$ 15 bi com ativos herdados do Banco Master, enquanto avança aumento de capital de R$ 8,8 bi.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Agência Brasília

O Banco de Brasília (BRB) fechou acordo com uma gestora para estruturar um FIDC que pode levantar até R$ 15 bilhões a partir dos ativos herdados do Banco Master. Em entrevista ao Valor, o presidente-executivo Nelson de Souza disse que o veículo deve ficar pronto em até 30 dias e tirar do balanço a parcela “sangrando” do pacote recebido em dezembro.

A estrutura proposta do FIDC

Componente Valor
Ativos estimados pelo BRB herdados do Master R$ 21,9 bi
Créditos em negociação de venda direta R$ 1,9 bi
Saldo destinado ao FIDC ~R$ 20 bi
Cotas sênior (gestora assina, vira caixa do BRB) R$ 4 bi
Cotas subordinadas (colocação junto a investidores) R$ 11 bi

Dados declarados pelo BRB. Fonte: Valor Econômico.

O FIDC proposto pelo BRB

Segundo o CEO, os ativos que vieram do Banco Master somam R$ 21,9 bilhões na estimativa atual do BRB. O banco já negocia venda direta de créditos individuais que totalizam cerca de R$ 1,9 bilhão. O restante, aproximadamente R$ 20 bilhões, vai para o FIDC. A gestora, cujo nome o BRB não revelou, assina R$ 4 bilhões em cotas sênior, dinheiro que entra direto no caixa do banco, e se compromete a buscar investidores para mais R$ 11 bilhões em cotas subordinadas. “Vamos estruturar esse FIDC. Isso vai melhorar o balanço do BRB, porque a gente não vai ficar com esses ativos sangrando dentro de casa”, disse Nelson de Souza em entrevista ao Valor.

O pacote tem 25 itens. Os de maior valor são uma carteira do cartão consignado Credcesta, de R$ 2,7 bilhões; cotas dos fundos Naples e Kyra, que investem basicamente em ações da Ambipar, de R$ 1,6 bilhão; o rotativo de cartão do Will Bank, de R$ 1,1 bilhão; uma carteira de Pix e compras, de R$ 770,4 milhões; e o fundo Tessália, que investe em Oncoclínicas, com R$ 537 milhões. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou em nota que a proposta do FIDC será encaminhada formalmente ao Banco Central, responsável pela análise técnica e regulatória.

As demais frentes do plano de resgate

O FIDC não resolve sozinho a situação. O GDF, controlador do banco, havia pedido R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos e agora solicitou mais R$ 2,6 bilhões, totalizando R$ 6,6 bilhões. O governo local quer que o FGC não entre sozinho, mas junto de um consórcio de bancos. O fundo já havia condicionado o primeiro pedido a um pool com os grandes bancos. “Fizemos reuniões com praticamente todos os bancos S1. Os pedidos de empréstimos já estão em tramitação”, disse Souza.

O dinheiro levantado com o FGC deve alimentar o aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões que o BRB vai submeter a assembleia geral extraordinária no dia 22 de abril. A meta é integralizar o capital até 29 de maio. A hipótese, levantada pelo próprio CEO, de usar um fundo imobiliário com imóveis do GDF para compor parte do socorro segue na mesa, mas Souza admite que o tema está judicializado e “não vai rolar no curto prazo”.

O mercado olha com ceticismo

A estimativa de R$ 21,9 bilhões para os ativos herdados é vista como alta por outros players. No balanço do Master, os mesmos ativos estavam contabilizados em R$ 14,5 bilhões, segundo o Valor, e o BRB aplicou deságio médio ao recebê-los. A distância entre os dois números alimenta desconfiança sobre quanto, de fato, vai voltar em caixa. Um gestor de grande banco ouvido pelo jornal levanta a hipótese de que a parcela subordinada esteja ligada a um earn-out, estrutura em que o pagamento depende do desempenho futuro dos ativos.

Em entrevista ao podcast Let’s Money, Michel Rubin, sócio da M8 Partners, resumiu a aritmética do crédito brasileiro em uma frase que vale aqui: “A concessão é fácil. O difícil no Brasil é recuperar”. Rubin lembrou também que “o maior inimigo do crédito é a alta liquidez”, porque obriga gestoras a girar carteira mesmo quando não há ativos bons disponíveis. No caso do BRB, o desafio é o oposto: converter ativos originalmente ilíquidos em caixa rápido sem marcar perda maior do que a já reconhecida.

O que observar

O desenho do FIDC diminui a retenção de risco no balanço do banco e, por consequência, a alocação de capital exigida, o que pode reduzir a necessidade de provisão e de aporte extra. Vale acompanhar como o Banco Central vai calibrar o nível de subordinação que o banco mantém no veículo. Quanto mais cota subordinada ficar retida, menor a transferência efetiva de risco e menor o alívio regulatório. Um desenho mais agressivo, com transferência total, acelera o alívio contábil mas depende da capacidade da gestora de colocar as cotas subordinadas junto a investidores qualificados.

A pergunta que fica é se o pacote montado pelo banco, somando FIDC, empréstimo do FGC, aumento de capital e consórcio de bancos grandes, roda em janela curta o suficiente para destravar a liquidez antes da integralização de 29 de maio. Se uma das frentes atrasa, as outras precisam carregar peso desproporcional, e o custo de capital sobe no meio do processo. Para o ecossistema de bancos estaduais e gestoras de ativos estressados, o caso também testa o apetite do mercado por estruturas desenhadas sob pressão regulatória e prazo apertado.

Fontes: Valor EconômicoPodcast Let’s Money

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