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Cota do BB no rombo do Master pode chegar a R$ 8 bi

ANABB projeta cota de R$ 8 bi do BB para repor rombo de R$ 50 bi do Master no FGC; em fev/26, BB indicou uso de R$ 5 bi da Tesouraria sem afetar resultado.

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Atualizado em

Foto: Reprodução

A entidade representativa dos funcionários do Banco do Brasil projeta que a instituição assumirá perto de R$ 8 bi na conta de socorro distribuída entre os bancos associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pelo caso Master. O cálculo da ANABB, divulgado em entrevista à Veja, fica acima do valor que o próprio BB comunicou em fevereiro de 2026.

O rombo, em torno de R$ 50 bilhões, é o maior desembolso da história do FGC. Banco Master e Will Bank, sua subsidiária, somam R$ 46,9 bilhões em obrigações com depositantes, segundo o desenho aprovado pelo conselho do fundo. O plano determina que as instituições associadas antecipem 84 meses de contribuição, com 60 ainda em 2026, 12 em 2027 e 12 em 2028, e paguem uma alíquota extraordinária de 50% sobre a contribuição mensal regular.

O caso já produziu uma sequência de movimentos institucionais cobertos pelo Let’s Money. Em matéria do Let’s Money de 30 de maio de 2026, o Banco Central reformulou as regras do fundo para evitar a repetição do caso. Dias antes, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, alertou para o risco de distorção do FGC em desenhos muito agressivos. O socorro paralelo ao BRB, alvo correlato da crise, passou por um plano específico envolvendo fiança bancária e capitalização articulado pela Fazenda.

Plano do FGC para recompor o rombo do Master

Indicador Valor
Rombo total estimado cerca de R$ 50 bilhões
Banco Master R$ 40,6 bilhões em obrigações
Will Bank (subsidiária) R$ 6,3 bilhões em obrigações
Antecipação de contribuição 84 meses (60 em 2026, 12 em 2027, 12 em 2028)
Alíquota extraordinária 50% adicional sobre contribuição mensal
Patrimônio atual do fundo cerca de R$ 160 bilhões

Plano de recomposição do FGC aprovado em fevereiro de 2026 para o caso Master. Fonte: CNN Brasil

Banco do Brasil entre o R$ 8 bi da ANABB e o R$ 5 bi de fev/2026

A leitura apresentada à Veja vem de Augusto Carvalho, que ocupa a vice-presidência da ANABB na área de Relações Institucionais. “Pelas informações disponíveis, caberá ao Banco do Brasil uma ‘cota’ de cerca de R$ 8 bilhões para a recomposição do FGC”, afirmou. Posição prévia, comunicada em fevereiro de 2026 por Geovanne Tobias (VP de Gestão Financeira e Relações com Investidores do banco), apontou caminho distinto: o uso de R$ 5 bilhões vindos da Tesouraria, recurso descrito como sem efeito sobre o resultado contábil.

Carvalho citou ainda preocupações operacionais. Para ele, esses recursos “poderão rebaixar a PLR paga aos colegas que seguem construindo o grande colosso que é o Banco do Brasil, além de impactar no crédito oferecido à indústria e aos pequenos, médios e grandes produtores do agro”. A associação representa 158 mil funcionários ativos e aposentados; o custeio da CASSI, plano de saúde corporativo, também figura entre as pontas elencadas.

O contexto societário do Master ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. Em matéria do Let’s Money sobre o império de marcas atingidas pela liquidação, a operação decretada pelo BC em novembro de 2025 envolveu o banco e a subsidiária Will Bank, com efeito direto sobre o desembolso pelo fundo. O FGC já havia desembolsado R$ 36 bilhões aos credores até fevereiro de 2026, sobre um patrimônio total em torno de R$ 160 bilhões e liquidez imediata próxima de R$ 125 bilhões, segundo dados reportados pela CNN Brasil.

O que observar

Em série histórica do Let’s Money sobre o caso e o redesenho do FGC, as variáveis que mais movem o ritmo da recomposição combinam três frentes: o tamanho efetivo dos ativos recuperáveis na liquidação, o cronograma final da alíquota extraordinária e o desfecho das apurações criminais e administrativas em curso. Vale acompanhar como o desenho final vai se refletir nos balanços dos bancos públicos e dos grandes bancos privados ao longo de 2026 e 2027, com instituições que pagam contribuição mensal regular operando duas frentes simultâneas. A pergunta institucional é se o plano de antecipação combinado à alíquota extra vai gerar pressão sobre Participação nos Lucros e Resultados, oferta de crédito para setores específicos e custeio de planos de saúde corporativos, dimensões habitualmente fora do radar dos relatórios do regulador.

Fontes: VejaCNN BrasilLet’s Money: BC reformula FGCLet’s Money: Galípolo alerta para distorção do FGC

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