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FIDC chega a R$ 754 bi enquanto debêntures recuam

FIDC alcança R$ 754 bilhões em maio (Anbima), alta de 10% em 12 meses. Debêntures recuam 5,9% no ano e projeção é R$ 1 trilhão nos próximos meses.

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O patrimônio total dos FIDC fechou maio em R$ 754 bilhões, ganho de 10% em 12 meses na série da Anbima. No mesmo intervalo, a emissão primária de debêntures cedeu 5,9% no ano. Parte da demanda corporativa por captação migrou para o veículo de recebíveis num momento de aperto no crédito privado.

FIDC versus debêntures e renda fixa em 2026

Veículo / Período Volume Variação
Emissão FIDC (jan-mai 2026) R$ 41,7 bi +36,5% vs 2025
Emissão debêntures (jan-mai 2026) R$ 146,3 bi -5,9% vs 2025
Captação FIDC abr/2026 R$ 4,5 bi recorde mensal
Captação FIDC mai/2026 R$ 2,5 bi
Saída renda fixa abr/2026 -R$ 16,3 bi pior do tipo

Dados de emissões primárias e captação de FIDC e fundos de renda fixa em 2026 segundo a Anbima. Fonte: Valor Econômico

O contraste com as debêntures

O confronto de números é direto. Em emissões primárias entre janeiro e maio, FIDC originou R$ 41,7 bilhões, ritmo 36,5% acima do mesmo recorte de 2025. As debêntures somaram R$ 146,3 bilhões no período e encolheram 5,9% sobre 2025. Abril foi o pico mensal do produto de recebíveis, com R$ 4,5 bi em captação, marca histórica do veículo, complementados por R$ 2,5 bi em maio. Em paralelo, R$ 16,3 bilhões saíram em resgate líquido da renda fixa tradicional só naquele abril, pior resultado mensal já registrado pela categoria, conforme dados da Anbima relatados pelo Valor Econômico.

Para a indústria, o produto evoluiu. Fernando Fontes, presidente da Cerc, disse ao Valor que o avanço se deve a uma “conjunção de fatores, entre os quais o desenvolvimento do produto”, impulsionado pela digitalização que reduziu custos. Há também um benefício contábil para a empresa cedente: dependendo do desenho do fundo, a operação não vai para o passivo como dívida. Pelo lado do investidor, Guilherme Maranhão, da Anbima, lista dois atrativos: o veículo escapa do come-cotas (o IR só incide no resgate, e não em maio e novembro como em outros fundos) e tende a oscilar menos, dado que a baixa liquidez do FIDC dispensa marcação a mercado. O mercado projeta cruzar R$ 1 trilhão de patrimônio nos próximos meses.

Quem está entrando para comprar

Para a Valora, na voz do sócio Daniel Pegorini, há dois compradores novos. Bancos passaram a comprar cotas como forma de soltar capital regulatório (Basileia), pouco consumido no balanço atual. Fundos de crédito entraram no veículo ainda durante a pandemia atrás de rentabilidade e hoje o usam para amortecer volatilidade. Investidor de varejo, autorizado a aportar diretamente em FIDC após uma mudança regulatória da CVM em 2023, segue distante. Já João Paulo Fiuza, da One7, ressaltou ao Valor que mesmo grandes empresas estão voltando a olhar o veículo com o mercado fechado para captações maiores.

A escala vista nas emissões repete o que já apareceu no acervo. Em entrevista ao podcast Let’s Money em novembro de 2025, Michel Rubin, sócio da M8 Partners, afirmou que “hoje eu tenho FIDICs que são maiores que bancos” ao descrever a operação de R$ 6,5 bilhões da gestora, conectada a 17 originadores regionais. Movimentos recentes mostram fintechs brasileiras usando o veículo como funding principal, e gestoras de grande porte reforçando alocação em crédito privado.

O que observar

O risco de qualquer mercado que cresce 36% ao ano em emissões é a qualidade da originação que entra junto com o volume. Gestoras com método e governança seguem em vantagem; entrantes sem histórico em crédito tendem a repetir erros já vistos no ciclo de fintechs de crédito. Vale acompanhar se reguladores reforçam exigências para originadores e consultores de crédito, e se grandes investidores institucionais passam a olhar mais concentração de cedentes e qualidade de carteira do que tamanho do patrimônio líquido. O patamar de R$ 1 trilhão deve chegar logo. O teste de qualidade do mercado costuma aparecer quando o ciclo de inadimplência vira.

Fontes: Valor EconômicoAnbimaLet’s Money Podcast: Michel Rubin (M8 Partners)

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