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Fintechs brasileiras captam US$ 2,77 bi com FIDCs dominando

Sling Hub aponta 106 rodadas em 2025, mínimo em 5 anos: CloudWalk fez FIDCs de US$ 788 mi e US$ 549 mi, dominando o ranking de captações.

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Foto de Blogging Guide na Unsplash

O mercado brasileiro de fintechs registrou em 2025 o menor número de rodadas dos últimos cinco anos: 106 operações, ante 244 em 2021. O volume total se manteve em US$ 2,77 bilhões, e o movimento que sustentou esse patamar foi a ascensão dos FIDCs, que dominaram as maiores captações do período.

Captações de fintechs por região em 2025

Região Rodadas Volume captado
Sudeste 91 US$ 2,44 bi (88,2%)
Nordeste 4 US$ 265 mi
Sul 10 US$ 55,7 mi
Centro-Oeste 1 US$ 5,46 mi
Norte 0 sem registros

Dados de 2025, contemplam equity, dívida e FIDCs. Fonte: Startups.com.br

FIDCs superam equity nas maiores captações do país

Os dados são do relatório Panorama Regional das Fintechs, produzido pela Sling Hub em parceria com o Torq, hub de inovação e Corporate Venture Capital da Evertec. A análise consolida rodadas de equity, dívida e FIDCs sem separação por modalidade. “O mercado está mais seletivo, concentrado e priorizando operações capazes de gerar escala sustentável”, disse João Ventura, fundador e CEO da Sling Hub.

Das cinco maiores rodadas registradas no Sudeste, quatro foram via FIDC. A CloudWalk, que faturou R$ 10 milhões por funcionário em 2025, estruturou as duas maiores captações do período: FIDCs de US$ 788 milhões e US$ 549 milhões. A Creditas, que registrou originação recorde em 2025, combinou os dois instrumentos: levantou US$ 108 milhões em rodada Series G com participação do AndBank e captou US$ 143 milhões adicionais via FIDC. A Pravaler completou o top 5 do Sudeste com um FIDC de US$ 106 milhões.

Para Thiago Iglesias, head do Torq e gerente de inovação da Evertec, a mudança representa maturidade. “O setor começa a adotar estruturas financeiras mais sofisticadas e sustentáveis, reduzindo a dependência exclusiva do equity tradicional e ampliando as possibilidades de funding para fintechs em estágios mais avançados”, diz.

Sudeste concentra capital; Nordeste surpreende por mediana

O Sudeste manteve 88,2% do volume total e 85,9% das rodadas, com 1.498 das 2.083 fintechs ativas mapeadas no Brasil. O crescimento de 122% dos FIDCs no mercado de capitais em 2025 reflete, pelo lado das empresas, exatamente o que o levantamento registra nas captações das fintechs.

O Nordeste surpreende com apenas quatro rodadas, US$ 265 milhões captados e a maior mediana do país: US$ 50,5 milhões por operação. O destaque é a iCred, de Sergipe, que realizou dois FIDCs, de US$ 215 milhões e US$ 50,5 milhões. O Sul contabilizou dez rodadas e US$ 55,7 milhões, com Makasi, do Paraná, e Asaas, de Santa Catarina, levantando US$ 21,1 milhões e US$ 18,5 milhões, respectivamente, ambas via FIDC. O Centro-Oeste teve uma rodada (US$ 5,46 mi) e o Norte não registrou investimentos.

O que observar

A substituição do equity pelo FIDC como instrumento dominante nas maiores captações muda a estrutura de incentivos do ecossistema: founders acessam capital sem diluição imediata, mas assumem obrigações de pagamento em prazo determinado. Vale acompanhar se essa estrutura sustenta a expansão em ciclos de margem comprimida, quando o fundo de recebíveis que lastreia o FIDC enfrenta inadimplência mais alta. A pergunta central é se o crescimento do volume de crédito das fintechs (que alimenta os recebíveis dos FIDCs) consegue manter ritmo compatível com o serviço dessas dívidas.

Os dados são de relatório produzido por hub de inovação corporativa de empresa com atuação direta no ecossistema de meios de pagamento, o que não invalida os números, mas contextualiza a perspectiva a partir da qual a análise foi estruturada.

Fontes: Startups.com.brLet’s MoneyLet’s Money

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