O FMI alertou em relatório de abril que a migração de serviços financeiros para blockchains representa uma “mudança estrutural na arquitetura financeira”, não uma digitalização incremental. A tese central: a mesma ausência de fricção que torna cripto eficiente em mercados calmos pode amplificar instabilidade em cenários de estresse.
Fricção como proteção: tradicional vs. on-chain
| Mecanismo | Tradicional | On-chain |
|---|---|---|
| Liquidação | Dias (tempo para avaliar exposições) | Segundos (sem janela de reação) |
| Absorção de choques | Clearinghouses mutualizam risco | Protocolos automatizados |
| Contágio cross-border | Barreiras jurisdicionais freiam | Ativos cruzam fronteiras instantaneamente |
Comparativo de mecanismos de proteção. Fonte: PYMNTS/FMI
Pesquisas convergem no mesmo alerta
O FMI não está sozinho. Um paper do Federal Reserve de Nova York (“Stablecoin Disintermediation”) mostrou que stablecoins transmitem choques de liquidez aos bancos parceiros: as instituições que mantêm depósitos de emissores de stablecoins viram seu ratio de empréstimos sobre ativos cair cerca de 14 pontos percentuais em relação a pares. Outro estudo do NY Fed, “Stablecoins vs. Tokenized Deposits”, apontou que depósitos tokenizados emitidos por bancos podem financiar empréstimos e investimentos, enquanto stablecoins não, criando consequências distintas para o balanço do sistema. O FATF publicou em março seu “Targeted Report on Stablecoins and Unhosted Wallets”, destacando a tensão entre pagamentos globais sem fricção e um ecossistema ainda parcialmente regulado. O ECB pediu supervisão rigorosa de stablecoins na Europa, e o FSB já havia anunciado em 2025 foco ampliado no tema.








