O Goldman Sachs fechou o segundo trimestre de 2026 com o maior faturamento da sua história, e o combustível veio das mesas de operação. O banco reportou US$ 6,63 bilhões em ganhos líquidos, um salto de 78% ante o mesmo trimestre do ano passado, impulsionado por uma receita recorde de trading de ações e por uma retomada agressiva dos negócios de fusões e aquisições.
Cada ação rendeu US$ 20,98, outro recorde da temporada, e expôs o tamanho do erro de cálculo do mercado: a projeção média em Wall Street girava em torno de US$ 14,51 por papel, com faturamento estimado em cerca de US$ 16,2 bilhões. O número real de receita foi bem maior, US$ 20,34 bilhões, com expansão de 39% no ano.
Trading foi o motor, não o balanço
A divisão de Global Banking & Markets, que concentra as mesas de negociação e o banco de investimento, sozinha respondeu por US$ 15,52 bilhões, um salto de 53% e um recorde para o segmento. Dentro dela, a linha de Equities (trading de ações) foi a maior fonte de receita do banco inteiro: US$ 7,42 bilhões, alta de 72%. A mesa de FICC (renda fixa, câmbio e commodities) somou US$ 4,59 bilhões, avanço de 32%.
Somadas, as duas mesas de trading representaram cerca de US$ 12 bilhões, aproximadamente 59% de toda a receita do trimestre. É a demonstração de que o número que chamou atenção (o lucro quase dobrado) foi puxado por volatilidade e volume nos mercados, e não pela rotina de balanço que costuma dominar as manchetes de bancos.
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M&A de volta ao centro do jogo
O segundo pilar foi a retomada dos negócios de assessoria. As comissões de banco de investimento subiram para US$ 3,40 bilhões, alta de 55% no ano, com a emissão de ações (equity underwriting) disparando 130% e a emissão de dívida crescendo 75%. O banco terminou o trimestre na liderança global de fusões e aquisições anunciadas e concluídas, além de ofertas de ações.
“O desempenho recorde deste trimestre reflete a força da nossa franquia global, a profundidade das nossas relações e nossa capacidade de aproveitar o poder do One Goldman Sachs”, afirmou David Solomon, presidente e CEO do banco (em tradução livre). A mesma máquina de originação que colocou a instituição no topo do M&A também a mantém ativa como investidora: recentemente ela liderou um aporte de US$ 110 milhões em uma fintech de infraestrutura de crédito.
Receita por segmento no 2º trimestre de 2026
Segmento
Receita
Var. anual
Global Banking & Markets
US$ 15,52 bi
+53%
Equities (trading de ações)
US$ 7,42 bi
+72%
FICC (renda fixa e câmbio)
US$ 4,59 bi
+32%
Banco de investimento
US$ 3,40 bi
+55%
Asset & Wealth Management
US$ 4,60 bi
+20%
Platform Solutions
US$ 221 mi
-64%
Receita total
US$ 20,34 bi
+39%
Receita líquida por segmento no 2º trimestre de 2026. Fonte: Goldman Sachs
Wall Street em máquina de vento
O resultado não é um ponto fora da curva isolado. Outros grandes bancos americanos também vinham de trimestres fortes: o Morgan Stanley já havia reportado receita recorde no início do ano, sinal de que o ciclo de mercados agitados e reabertura da janela de operações favorece toda a indústria de intermediação. O contraponto no balanço do Goldman ficou por conta da Platform Solutions, o braço de soluções de consumo e transações, que caiu 64% e ainda operou no vermelho, reforçando o recuo do banco das apostas em serviços financeiros de varejo.
O que observar
A força do trimestre está concentrada em receitas cíclicas: trading e assessoria de operações dependem de volatilidade nos mercados e de uma janela aberta para fusões, aquisições e ofertas de ações. Vale acompanhar se a retomada dos grandes bancos de investimento se sustenta caso o ambiente de juros e a apetite por risco mudem, e se o ciclo de reabertura de IPOs e M&A que impulsiona as comissões de assessoria mantém fôlego nos próximos trimestres. Também merece atenção o movimento estrutural de instituições globais recuando de serviços financeiros de varejo para reconcentrar capital em mercados de capitais e gestão de patrimônio.