Ir para o conteúdo

CréditoCrédito · Crédito

CEO do Itaú descarta ruptura no crédito com ROE a 24,8%

Maluhy descarta ruptura no crédito após 1T26 com ROE de 24,8%, melhor desde 2T2015. PMEs com garantia sobem de 36% para 55% no portfólio do Itaú.

por

· 3 min

Atualizado em

Piotr Swat / Shutterstock.com

O Itaú Unibanco fechou o primeiro trimestre de 2026 com ROE consolidado de 24,8%, melhor marca desde o segundo trimestre de 2015, e o CEO Milton Maluhy Filho usou a teleconferência de resultados para descartar qualquer ruptura no ciclo de crédito, citando portfólio bem provisionado e melhora estrutural na carteira de pequenas e médias empresas.

Itaú: Indicadores do 1T26

Indicador 1T26 Var. a/a
Lucro recorrente R$ 12,3 bi +10,4%
ROE consolidado 24,8% +2,3 p.p.
ROE Brasil 26,4% +2,7 p.p.
Carteira de crédito R$ 1,48 tri +7,2%
Inadimplência >90 dias 1,9% estável

Resultados do 1º trimestre de 2026 do Itaú Unibanco. Fonte: InfoMoney

ROE melhor desde 2015, com ajuste nos dividendos

O retorno sobre o patrimônio líquido consolidado de 24,8% representa alta de 0,4 ponto percentual no trimestre e 2,3 p.p. em relação ao primeiro trimestre de 2025. No Brasil, o ROE chegou a 26,4%, ante 23,7% um ano antes. Gabriel Moura, vice-presidente financeiro, contextualizou o número: “A gente está com capital de 12%, mas, se a gente tivesse a 11,5%, que é mais comparável com o que a gente vê no mercado, esse 24,8% seria 25,8%”, disse Moura a analistas.

O lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões sofreu impacto da antecipação de um dividendo extraordinário de R$ 20 bilhões realizada no quarto trimestre de 2025, que costumaria ser pago no início deste ano. Moura explicou que a saída de caixa antecipada retirou R$ 600 milhões de receita potencial do primeiro trimestre. Sem esse efeito, o lucro teria chegado a R$ 12,7 bilhões e teria sido recorde histórico, segundo Maluhy. O efeito sazonal da inadimplência na passagem do 4T para o 1T também foi mais brando que o habitual: enquanto o banco espera variação de 0,3 a 0,4 ponto percentual nesse período, neste ano o avanço foi de apenas 0,23 p.p., segundo Moura. Os números completos estão no balanço do trimestre publicado pelo Let’s Money.

PMEs mais garantidas e portfólio abaixo da inadimplência do setor

Maluhy afirmou que o risco mais relevante no horizonte concentra-se nas grandes empresas, onde o banco acompanha de perto os casos em recuperação extrajudicial. “Nosso guidance já tinha implícito muitos dos casos mais conhecidos, com evolução das provisões ao longo do ano”, disse o CEO, lembrando que, pelas novas regras do Banco Central, crédito em recuperação extrajudicial já é classificado automaticamente no estágio 3, o de maior risco. No segmento de PMEs, o fim de carência em programas governamentais pode adicionar 0,2 ponto percentual à inadimplência, mas Maluhy qualificou o efeito como pontual.

Mais relevante foi a mudança estrutural no portfólio PME: a fatia da carteira com garantia subiu de 36% no final de 2019 para 55% hoje. Nos clientes classificados internamente como “target” pelo banco, que representam mais de 80% do portfólio e praticamente toda a originação marginal de crédito, o índice de endividamento avançou de 100 para 105, alta de apenas 5%, bem abaixo do avanço observado no setor como um todo, segundo Moura. O cenário contrasta com o pico de inadimplência recorde registrado em janeiro, que alimentou dúvidas sobre a qualidade do crédito nos grandes bancos.

O que observar

O guidance divulgado já contempla os casos mais conhecidos de grandes empresas em dificuldade, o que significa que qualquer surpresa negativa precisaria vir de fora desse mapa já provisionado. Vale acompanhar o ritmo das provisões nos próximos trimestres: se seguir dentro do guidance, confirma a tese de portfólio construído com margem de segurança. Se houver aceleração além do esperado, o teste será na capacidade de cobertura.

No segmento de PMEs, a elevação da fatia com garantias de 36% para 55% ao longo de seis anos representa uma mudança estrutural no perfil de risco, que tende a comprimir inadimplência em ciclos adversos. A pergunta que fica é se fintechs de crédito e bancos de médio porte, que competiram por esse segmento com apetite mais agressivo nos últimos anos, têm balanço similar para atravessar o fim das carências governamentais sem pressão nos indicadores.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.