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Kalshi rebate comparação com cassino e mira volta ao Brasil

Cofundadora da Kalshi afirma que o plano A é negociar a volta ao Brasil, rebate a comparação com cassino e cita US$ 4 bi de volume por semana.

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· 3 min

Atualizado em

Luana Lopes Lara e Tarek Monsour, fundadores da Kalshi. Foto: Kalshi/Divulgaçã

A Kalshi mantém o interesse no Brasil e diz que o “plano A” é negociar com o governo para reverter o veto que a tirou do país. Em entrevista à Bloomberg Línea no Web Summit Rio, a cofundadora Luana Lopes Lara rebateu a comparação com cassinos e afirmou que a plataforma transaciona mais de US$ 4 bilhões por semana.

A Kalshi em números

Indicador Número
Volume transacionado +US$ 4 bi por semana
Crescimento (últimos 6 a 8 meses) 15 vezes
Última captação (início de 2026) US$ 1 bi
Valuation US$ 22 bi
Fundação / início de operação 2018 / 2021

Números da operação da Kalshi citados pela cofundadora. Fonte: Bloomberg Línea

Por que o Brasil barrou a Kalshi

A plataforma de mercados de previsão anunciou a entrada no país a partir de uma parceria com a XP, como primeiro passo da internacionalização. Logo depois, o Conselho Monetário Nacional publicou uma resolução que proibiu contratos ligados a eleições, esportes e outros eventos, liberando apenas eventos macroeconômicos, como inflação e Selic. Em seguida, o Ministério da Fazenda bloqueou cerca de 30 sites, incluindo a Kalshi, sob o argumento de que operam como bets. O Let’s Money mostrou como o acesso via XP seguiu com aval da CVM mesmo após o veto, e como a nova regra atingiu também a Polymarket.

“Proibir é o pior dos mundos para um governo: você perde a arrecadação de impostos, não tem proteção ao consumidor e perde o rastro do dinheiro”, afirmou Luana Lara, que também é COO da empresa. Segundo ela, o “plano A é trabalhar de forma construtiva com o governo brasileiro”, e o litígio que a Kalshi adotou nos Estados Unidos foi a última opção. Enquanto isso, a B3 recebeu aval da CVM para operar o primeiro mercado de previsão formal do país, restrito a investidores profissionais e a contratos ligados a Ibovespa, dólar e bitcoin.

A defesa contra a comparação com cassino

O centro do argumento de Luana é a mecânica do negócio. “Na Kalshi, nós não participamos dos trades. Nós somos uma bolsa, exatamente como o mercado de ações”, disse, comparando a operação a uma exchange em que um usuário negocia contra o outro, e não contra a casa. Ela afirma que a plataforma não tem incentivo para o cliente perder e cita limites de depósito, bloqueio temporário após perdas sequenciais e exclusão de campanhas de marketing para perfis de risco. Sobre a crítica de comportamento aditivo, sustenta que o índice de perda no varejo é menor que em daytrade de ações ou em casas de aposta.

A cofundadora atribui a resistência a “indústrias que se sentem ameaçadas” pela existência dos mercados preditivos, mas recuou ao ser questionada sobre eventual lobby das bets, dizendo não saber como o argumento surge. O embate ecoa as contestações que a empresa enfrenta de procuradores estaduais nos Estados Unidos, onde também é comparada a casas de aposta, apesar de operar sob licença federal da CFTC. No fôlego financeiro, a startup captou US$ 1 bilhão a um valuation de US$ 22 bilhões no começo do ano.

O que observar

O argumento mais forte da empresa para os reguladores é prático: banir um mercado não faz a atividade desaparecer, apenas empurra o volume para plataformas offshore, fora do alcance fiscal e de proteção ao consumidor. A pergunta que fica é se o caminho de diálogo construtivo reabre a porta no Brasil ou se a empresa repetirá aqui a rota de litígio que adotou nos Estados Unidos. Vale acompanhar o desenho regulatório: a janela aberta para benchmarks estritamente econômico-financeiros pode favorecer exchanges domésticas reguladas em detrimento das plataformas internacionais ligadas a eleições e esportes.

Para o ecossistema, o teste aparece nos próximos trimestres. Se um mercado de previsão regulado e doméstico ganhar tração com investidores profissionais, o regulador terá um caso concreto para calibrar o que liberar ao varejo. A linha divisória entre derivativo de hedging e aposta de entretenimento segue sendo o ponto que define quem pode operar e sob quais limites.

Fontes: Bloomberg LíneaBloomberg Línea (B3)Exame

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