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IPOInternacional · B3

Musk vira 1º trilionário com IPO recorde da SpaceX

SpaceX precificou o IPO a US$ 135 e captou US$ 75 bilhões, a maior oferta da história. No Brasil, o papel chega via BDR na B3 a partir de R$ 50.

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Atualizado em

A SpaceX precificou sua oferta inicial de ações a US$ 135 por papel e captou US$ 75 bilhões, a maior abertura de capital da história. A oferta avalia a empresa de Elon Musk em US$ 1,77 trilhão e, conforme o Valor, coloca o empresário como o primeiro trilionário da história. No Brasil, o investidor entra pelo recibo na B3 a partir de R$ 50.

O IPO que quebrou o recorde

Indicador Número
Captação US$ 75 bilhões
Preço por ação US$ 135
Avaliação da empresa US$ 1,77 trilhão
Ações vendidas 555,6 milhões
Recorde anterior Saudi Aramco, US$ 25,6 bi (2019)

Dados da oferta inicial de ações da SpaceX, precificada em 11/06/2026. Fonte: Valor Econômico

Como a oferta superou o recorde da Saudi Aramco

Os papéis começam a ser negociados nesta sexta-feira na Nasdaq. A operação desbancou com folga o IPO da petroleira Saudi Aramco, que em 2019 levantou cerca de US$ 25,6 bilhões e até agora era o maior já realizado. A demanda foi extraordinária: as pessoas físicas responderam por 25% a 30% da oferta, muito acima da fatia de 10% que as aberturas costumam reservar para esse público, e o segmento sozinho superou US$ 100 bilhões em pedidos, segundo a Bloomberg.

A transação dá largada para uma safra de mega-ofertas nos Estados Unidos, com OpenAI e Anthropic na fila, ambas mirando valor de mercado acima de US$ 1 trilhão. A SpaceX já havia revelado prejuízo bilionário no prospecto: foram US$ 4,94 bilhões de perda líquida em 2025, com a Starlink, rede de internet via satélite, como principal fonte de lucro. A grande aposta de crescimento está na integração entre conectividade global, inteligência artificial e infraestrutura espacial. “Nossas iniciativas de computação de IA orbital e industrialização no espaço, na Lua e em outros planetas estão em estágio inicial, envolvem tecnologias não comprovadas e podem nunca se tornar comercialmente viáveis”, disse a SpaceX no prospecto.

O caminho do investidor brasileiro

O BTG Pactual foi o único banco brasileiro entre os 21 coordenadores do IPO, e o Santander, que atua no país, também integrou o pool de vendas. A demanda de investidores brasileiros foi da ordem de bilhões, e fundos foram estruturados no país para dar acesso ao público local. A partir desta sexta-feira, a B3 passa a oferecer o BDR da companhia, negociado pelo código SPCX34, a partir de R$ 50, em reais e sem necessidade de remeter recursos ao exterior.

Cada ação no exterior corresponde a 15 BDRs na B3, já que o papel saiu a US$ 135, ou cerca de R$ 675. Mesmo após a oferta, Musk manterá cerca de 85% do poder de voto, graças a uma estrutura de supervoto que dá direito a dez votos por papel, e está proibido de vender ações por 366 dias. “Essa operação demanda investimentos em massa, e é uma das principais razões para a oferta”, afirma Thiago Kapulskis, sócio do Global Tech Fund da São Pedro Capital, que aponta a aposta em IA como ponto central do debate sobre o preço.

O que observar

O ponto de atenção está na combinação de free float baixo e supervoto: com cerca de 5% das ações em circulação e o fundador concentrando perto de 85% dos votos, o preço pode oscilar bastante nos primeiros pregões. Vale acompanhar como os investidores pessoa física, que responderam por fatia incomum da demanda, reagem à volatilidade de um ativo de valuation extremo e ainda deficitário.

Para quem entra por recibos de ações estrangeiras, a pergunta é quanto do prêmio já está embutido no preço. Quando uma empresa abre capital com prejuízo bilionário e teses de receita futura ainda não comprovadas, o teste será se a geração de caixa atual sustenta a expectativa precificada. O regulador americano e o histórico de ofertas com pouca liquidez inicial são bons termômetros para os próximos meses.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyLet’s Money

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