A Paymentology, emissora e processadora global de cartões com atuação em 68 países, levantou US$ 175 milhões em rodada coliderada pela Apis Partners e pela Aspirity Partners para expandir sua plataforma além do processamento de emissores, avançando sobre crédito, stablecoins, tokenização e serviços baseados em inteligência artificial.
Paymentology: rodada de US$ 175 mi
Métrica
Valor
Rodada
US$ 175 milhões
Investidores líderes
Apis Partners e Aspirity Partners
Países atendidos
68
Crescimento em novas vendas (2025)
+117%
Crescimento em volume de transações (2025)
+65%
Expansão planejada
Crédito, stablecoins, tokenização, IA
Métricas da rodada da Paymentology. Fonte: BusinessWire
Infraestrutura de emissão contra o legado
A Paymentology opera uma plataforma configurável e nativa em nuvem para processamento de emissão de cartões, camada que permite a bancos digitais, fintechs e instituições financeiras lançar e gerenciar programas de débito, crédito, pré-pago e BNPL. A empresa projeta crescimento de 117% em novas vendas e de 65% em volume de transações em 2025, impulsionados pela demanda de bancos digitais, provedores de finanças integradas, programas vinculados a ativos digitais e plataformas de gestão de despesas. O mercado global de pagamentos é estimado em US$ 49 trilhões até 2026, mas grande parte da camada emissora ainda opera sobre infraestrutura legada que restringe velocidade e inovação.
A Apis Partners, um dos líderes da rodada, é uma gestora londrina de private equity focada em infraestrutura financeira em mercados emergentes, com portfolio que inclui TymeBank, Peach Payments e EZRA, sendo este seu 16º investimento no setor de pagamentos. A Aspirity Partners, fundada em 2024, aporta capital de seu fundo inaugural de €875 milhões, com a Paymentology como primeiro investimento do veículo. Na América Latina, a empresa atua por meio de parceria com a 2innovate, firmada em 2024, com foco em remessas e inclusão financeira.
“O futuro das finanças já chegou, mas a infraestrutura legada continua a frear a inovação. […] Construímos uma plataforma de emissão projetada para o crescimento, ajudando bancos digitais, fintechs e instituições financeiras a lançar, escalar e expandir seus programas de cartões com confiança”, disse Jeff Parker, CEO da Paymentology.
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Stablecoins, crédito e IA: a expansão do capital
O novo capital financia a expansão para além do processamento principal de emissores. As frentes mapeadas incluem crédito, stablecoins, tokenização e serviços baseados em IA. Em cartões vinculados a stablecoins, estimativas de mercado apontam para volumes anualizados próximos de US$ 30 bilhões até o final de 2026, impulsionados por regulação mais clara em jurisdições como Estados Unidos e Europa.
A Visa acelerou sua aposta em stablecoins com infraestrutura da BVNK, sinalizando que redes globais de cartões já buscam parceiros capazes de integrar ativos digitais regulados ao processamento tradicional. Processadoras de emissão com plataforma em nuvem passam a ser peça crítica para viabilizar essa ligação.
O movimento segue uma tendência mais ampla de infraestrutura de pagamentos B2B baseada em stablecoins: a SquareFi lançou infraestrutura com stablecoins voltada para o segmento B2B, e a corrida por plataformas de emissão que combinem acesso global com flexibilidade local para ativos digitais intensifica a concorrência entre processadores independentes e as divisões de tecnologia dos próprios participantes das redes de cartões.
O que observar
A rodada chega em um momento em que plataformas de emissão modernas começam a atrair capital de gestoras com mandato em mercados emergentes, historicamente mais expostos a infraestrutura financeira legada. A combinação de emissão configurável com expansão para stablecoins e crédito posiciona processadoras independentes como concorrentes diretos de divisões de tecnologia de grandes redes de cartões e bancos que oferecem processamento próprio.
O crescimento do volume de cartões vinculados a stablecoins amplia o mercado endereçável para emissoras que consigam integrar ativos digitais regulados em sua pilha de processamento. Vale acompanhar como gestores de programas de cartão em mercados de finanças integradas e bancos digitais de médio porte respondem à oferta de plataformas capazes de combinar escala global, adaptação local e trilhos de ativos digitais, e se esse posicionamento cria barreiras de saída duráveis frente a concorrentes estabelecidos.